Bitcoin reage após queda abrupta e mercado debate se US$ 60 mil marcou o fundo do ciclo

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 10 de fevereiro de 2026

O Bitcoin voltou ao centro das atenções após uma forte correção que levou o ativo à região de US$ 60 mil na última semana. Desde então, a criptomoeda recuperou parte das perdas e passou a ser negociada próxima de US$ 70 mil, movimento que reacendeu o debate entre investidores e gestores sobre a possibilidade de o mercado ter encontrado um fundo relevante neste ciclo de baixa.

A queda acelerada foi acompanhada por volumes recordes e liquidações intensas, especialmente no mercado de derivativos. Para Alexandre Vasarhelyi, gestor da B2V Crypto, esse tipo de movimento costuma ocorrer em momentos de exaustão vendedora. Segundo ele, quando o preço cai rapidamente, posições alavancadas acabam sendo forçadas a zerar, gerando liquidações em cascata que, muitas vezes, coincidem com zonas de fundo. Na visão do gestor, o comportamento observado entre quinta e sexta-feira da semana passada apresenta características clássicas desse tipo de formação.

A leitura é compartilhada por participantes institucionais do mercado cripto. A Galaxy Digital avalia que a recente correção faz parte de um processo de desalavancagem, com liquidez reduzida em determinadas faixas de preço, o que amplificou a volatilidade no curto prazo. A gestora observa que a magnitude da queda, superior a 50% em relação ao pico registrado em outubro de 2025, é historicamente compatível com regiões em que o Bitcoin costuma estabilizar antes de novos ciclos de valorização.

Em relatório recente, Alex Thorn, head de research da Galaxy, destacou que ainda não há evidência definitiva de um fundo sólido, mas apontou um sinal relevante: a diminuição das vendas por parte de investidores de longo prazo. Esse comportamento, segundo ele, sugere maior confiança nesses níveis de preço, mesmo em meio ao ambiente de incerteza.

Dados de negociação reforçam a leitura de estresse concentrado. Durante o momento mais agudo da queda, houve um desequilíbrio expressivo entre compradores e vendedores, com predominância de ordens de compra justamente no auge da pressão vendedora. Para Fabrício Tota, executivo do Mercado Bitcoin, esse padrão reflete a natureza emocional do mercado, onde o pânico de curto prazo frequentemente convive com movimentos oportunistas de investidores mais pacientes.

Apesar da recuperação recente, o risco de novas quedas ainda não está descartado. O ambiente macroeconômico segue desafiador, com juros elevados nas principais economias e ajustes relevantes em ativos de risco, como ações de tecnologia e metais preciosos. Ainda assim, gestores ressaltam que o fator determinante para um cenário mais negativo seria a ocorrência de um choque estrutural, como o observado em 2022 com a quebra da FTX.

Na avaliação de Vasarhelyi, a ausência de um evento desse tipo fortalece a tese de que a região de US$ 60 mil pode ter funcionado como piso do movimento atual. Ele lembra que, historicamente, o Bitcoin já atravessou ciclos de queda muito mais profundos, com desvalorizações superiores a 80%, e ainda assim conseguiu se recuperar e alcançar novas máximas ao longo do tempo. O que muda agora, segundo ele, é a maturidade do mercado, que passou a reagir menos com descrença e mais com questionamentos sobre oportunidade de alocação.

Indicadores de sentimento também ajudam a contextualizar o momento. O Índice de Medo e Ganância do Bitcoin atingiu níveis extremos na semana passada, sinalizando um ambiente de forte aversão ao risco. Embora esse tipo de indicador não marque o fundo com precisão, ele historicamente aparece em momentos próximos à exaustão do movimento vendedor, especialmente para investidores com horizonte de longo prazo.

Em paralelo, bancos tradicionais acompanham a movimentação com atenção. Estrategistas do JPMorgan observaram que a volatilidade do Bitcoin em relação ao ouro recuou para patamares historicamente baixos, um comportamento incomum que pode tornar o ativo mais atrativo sob uma ótica de risco-retorno no longo prazo, ainda que o curto prazo permaneça marcado por incerteza.


Visão do Bolso do Investidor

Movimentos de forte queda seguidos por recuperação rápida costumam gerar uma falsa sensação de segurança no curto prazo. No caso do Bitcoin, a região de US$ 60 mil pode, de fato, ter funcionado como um fundo técnico relevante, especialmente diante do volume elevado e da ausência de um choque estrutural no sistema.

Ainda assim, é importante separar análise de preço de tese de investimento. O Bitcoin segue sendo um ativo altamente volátil, sensível à liquidez, sentimento e eventos exógenos. Para o investidor, a pergunta central não deve ser se o fundo já ficou para trás, mas sim qual o papel do criptoativo dentro de uma carteira diversificada e com horizonte de longo prazo.

Mais do que tentar acertar o ponto exato de entrada, a decisão passa por convicção na tecnologia, disciplina de alocação e gestão de risco. Em mercados como o de criptoativos, sobreviver aos ciclos é tão importante quanto capturar as altas.


Fontes:

  • Infomoney