Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 11 de fevereiro de 2026

Conflitos geopolíticos voltaram a ocupar o centro das atenções dos investidores nos últimos anos. Da guerra entre Rússia e Ucrânia às tensões no Oriente Médio e intervenções recentes dos Estados Unidos, eventos internacionais têm provocado picos de volatilidade em bolsas, moedas, juros e commodities, aumentando a incerteza e exigindo estratégias de proteção de curto e médio prazo.
Além disso, a postura mais agressiva do presidente Donald Trump, com ameaças comerciais e militares frequentes, elevou o risco político global e adicionou novas camadas de imprevisibilidade aos mercados.
Estudo da Quantum Axis mostra que cada conflito gera impactos diferentes, o que dificulta a adoção de um “manual único” de proteção. Em alguns casos o petróleo dispara; em outros, as bolsas sobem; em outros ainda, moedas emergentes se fortalecem. Ou seja, o efeito depende diretamente de onde está o choque econômico: oferta de energia, cadeias de suprimentos, comércio exterior ou fluxo de capitais.
Impactos variam conforme o tipo de guerra
Os dados históricos indicam que, fora grandes guerras mundiais, os impactos tendem a ser pontuais e de curta duração.
Na invasão da Ucrânia, por exemplo, o petróleo subiu com força por risco de interrupção no fornecimento global, enquanto as bolsas americanas mostraram resiliência. Já em outros episódios, como tensões entre China e Taiwan, os mercados acionários chegaram a subir.
Segundo especialistas, commodities ligadas diretamente aos países envolvidos costumam reagir mais. Energia, metais e grãos são os primeiros a oscilar, enquanto ações muitas vezes exageram no curto prazo e depois se estabilizam.
Onde o dinheiro busca refúgio
Tradicionalmente, momentos de estresse geopolítico levavam investidores para:
- Dólar
- Títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries)
- Ouro
- Petróleo
Mas essa dinâmica vem mudando.
Com o aumento do déficit fiscal americano e ruídos políticos envolvendo o Federal Reserve, parte do mercado passou a questionar o dólar e os Treasuries como “porto seguro absoluto”. Assim, o ouro voltou a ganhar protagonismo, acompanhado por outros metais como prata e cobre.
O franco suíço também passou a atrair mais demanda como moeda defensiva. Já o Bitcoin chegou a ser visto como proteção digital, mas a forte volatilidade reduziu sua credibilidade como hedge estável.
Especulação amplia movimentos
Outro fator relevante é o comportamento emocional do mercado. Conflitos costumam gerar reações exageradas no curto prazo, impulsionadas por especulação e efeito manada. Preços de ativos sobem ou caem rapidamente com base em expectativas que nem sempre se confirmam. Muitas vezes, após o susto inicial, os fundamentos econômicos permanecem praticamente inalterados e os preços retornam ao normal.
Esse padrão se repetiu em episódios recentes: picos no petróleo ou quedas bruscas nas bolsas foram seguidos por correções semanas depois.
Como o investidor deve agir
Especialistas apontam algumas lições práticas:
- Evitar decisões impulsivas em dias de pânico
- Manter diversificação entre classes de ativos
- Ter parte do portfólio em proteção (ouro, caixa, renda fixa forte)
- Focar nos fundamentos das empresas, não apenas nas manchetes
Historicamente, investidores que tentam “prever a crise” e sair do mercado costumam perder mais do que aqueles que mantêm estratégia de longo prazo.
Visão Bolso do Investidor
Guerras elevam a volatilidade, mas raramente mudam estruturalmente o valor das empresas fora das áreas diretamente afetadas. O maior risco para o investidor é reagir emocionalmente. Proteção é importante, mas disciplina e diversificação continuam sendo as melhores defesas. Em vez de tentar acertar o timing das crises, o investidor tende a obter melhores resultados mantendo uma carteira equilibrada e preparada para diferentes cenários.
Fontes: InfoMoney
