Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 11 de fevereiro de 2026

As ações do setor de papel e celulose atravessam um período de desempenho mais fraco na Bolsa brasileira, pressionadas por preços internacionais menos favoráveis e por um ambiente competitivo mais acirrado, especialmente na China. Ainda assim, a XP Investimentos avalia que parte relevante desse cenário já está refletida nos preços e decidiu manter recomendação de compra para Suzano e Klabin.
Nos últimos doze meses, os papéis da Suzano acumulam queda próxima de 12%, enquanto a Klabin apresenta leve alta ao redor de 3%. No mesmo intervalo, o Ibovespa avançou cerca de 49%, ampliando a defasagem do setor frente ao índice de referência da Bolsa.
Para os analistas da corretora, essa diferença de desempenho abriu espaço para valuations mais atrativos, com as duas companhias sendo negociadas a múltiplos considerados descontados em relação à geração de caixa projetada para os próximos anos.
Pressão de preços e concorrência externa pesam no curto prazo
O momento mais desafiador do setor está ligado principalmente à fraqueza dos preços da celulose no mercado internacional. A desaceleração da demanda asiática e a concorrência maior entre produtores globais têm limitado a recuperação das margens, o que reduziu o apetite dos investidores por empresas ligadas a commodities florestais.
Além disso, a valorização do real frente ao dólar tende a afetar receitas de exportação, uma vez que grande parte das vendas é dolarizada. Esse movimento cambial adiciona um fator de incerteza ao desempenho operacional no curto prazo.
Mesmo com esse contexto, a XP entende que o mercado pode estar subestimando a capacidade das companhias de atravessar o ciclo com rentabilidade consistente.
Geração de caixa sustenta tese de investimento
Na visão da casa, o principal ponto de apoio para Suzano e Klabin está na geração de fluxo de caixa livre. As estimativas indicam rendimentos reais de fluxo de caixa entre 11% e 14% para a Suzano e entre 7% e 12% para a Klabin no período de 2026 a 2030.
Esse nível de geração de caixa, segundo a corretora, tende a oferecer proteção ao investidor mesmo em cenários mais conservadores para preços da celulose.
A Suzano aparece como a principal escolha dentro do setor, apoiada por expectativa de capex menor nos próximos anos e por alavancas operacionais que podem elevar a conversão de caixa. Já a Klabin se destaca pela diversificação de negócios e menor exposição à fibra curta e ao mercado chinês, fatores que, na avaliação dos analistas, trazem maior resiliência ao modelo operacional.
Nos preços atuais, a Suzano apresenta rendimento de fluxo de caixa livre estimado em torno de 10,9% para 2026, enquanto a Klabin projeta cerca de 8%, patamares considerados competitivos quando comparados a outras empresas dos setores de papel, celulose, metais e mineração.
Visão do Bolso do Investidor
Setores ligados a commodities costumam alternar ciclos de euforia e pressão. Em momentos de preços mais fracos, o mercado tende a penalizar excessivamente as ações, mesmo quando as empresas seguem gerando caixa de forma consistente.
Suzano e Klabin são exemplos clássicos de companhias exportadoras com receitas dolarizadas, forte escala operacional e capacidade de atravessar períodos adversos preservando margens no longo prazo. Quando o preço da ação cai mais do que os fundamentos pioram, surgem oportunidades de entrada para investidores pacientes.
Para quem busca diversificação e exposição a ativos reais, empresas de papel e celulose podem funcionar como proteção cambial e geradoras de caixa, especialmente em cenários de volatilidade econômica e eleitoral. Ainda assim, como todo negócio cíclico, exigem horizonte de longo prazo e tolerância a oscilações no curto prazo.
Fontes:
- InfoMoney
