Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 11 de fevereiro de 2026

O avanço acelerado das ferramentas de inteligência artificial voltou a mexer com o humor dos mercados globais e provocou uma correção relevante nas ações de empresas de software dos Estados Unidos. O movimento, no entanto, pode estar abrindo espaço para oportunidades seletivas de compra, segundo avaliação de estrategistas de grandes bancos de investimento.
A recente turbulência ganhou força após o lançamento de novos plug-ins da Anthropic para o agente de IA Claude Cowork. A iniciativa reacendeu temores de que sistemas de inteligência artificial mais sofisticados passem a competir diretamente com soluções tradicionais oferecidas por empresas de software, pressionando receitas e modelos de negócios consolidados.
Como reflexo dessa preocupação, o índice de software e serviços do S&P 500 acumulou queda de até 17% em apenas seis pregões na última semana. Desde então, parte das perdas foi reduzida, com recuperação próxima de 7%, mas o episódio evidenciou o grau de sensibilidade do setor às mudanças tecnológicas.
Para estrategistas do JPMorgan, liderados por Dubravko Lakos-Bujas, o mercado pode ter exagerado na precificação dos riscos. Na visão do banco, os preços atuais refletem cenários de disrupção extrema que dificilmente devem se materializar no curto prazo.
Segundo o relatório, o pessimismo excessivo não encontra respaldo nos fundamentos das companhias, que continuam apresentando geração de caixa robusta, crescimento consistente de receitas e posições competitivas sólidas. Com isso, o equilíbrio entre risco e retorno estaria se tornando mais favorável para empresas de maior qualidade dentro do setor.
A recomendação é que investidores considerem aumentar a exposição a companhias resilientes ao avanço da IA e com capacidade de incorporar a tecnologia aos próprios produtos. Entre os nomes citados estão gigantes como Microsoft, além de empresas de cibersegurança e infraestrutura digital como Palo Alto Networks, ServiceNow, CrowdStrike e Datadog, papéis que também foram pressionados na recente onda de vendas.
O Morgan Stanley segue linha semelhante. Para a instituição, a queda recente foi motivada muito mais por sentimento do mercado do que por deterioração real dos resultados operacionais. A equipe liderada por Katy Huberty aponta que as expectativas de receita continuam fortes, as revisões de lucro seguem positivas e um dólar mais fraco pode favorecer empresas com atuação global.
Enquanto analistas institucionais defendem seletividade, investidores de varejo aproveitaram a correção para aumentar posições em ações de tecnologia e software, demonstrando confiança de que o setor continuará sendo um dos principais beneficiários do ciclo de inovação digital.
O debate central agora gira em torno do papel da inteligência artificial: em vez de substituir as empresas tradicionais, muitos especialistas avaliam que a tecnologia pode se tornar uma aliada, ampliando produtividade, reduzindo custos e criando novas fontes de receita.
Visão Bolso do Investidor
Movimentos de pânico em setores ligados à inovação costumam gerar distorções temporárias de preço. Empresas consolidadas de software tendem a ter caixa forte, contratos recorrentes e capacidade de adaptação tecnológica, o que reduz o risco de disrupção abrupta.
Para o investidor de longo prazo, quedas motivadas por excesso de medo, e não por deterioração estrutural, podem representar oportunidades de entrada gradual, especialmente em companhias líderes e com vantagens competitivas claras. Ainda assim, a volatilidade no curto prazo deve permanecer elevada à medida que o mercado ajusta expectativas sobre o impacto real da inteligência artificial nos modelos de negócio.
Fontes:
- InfoMoney
- Reuters
