Vale divulga balanço e mercado avalia potencial de dividendos em 2026

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 12 de fevereiro de 2026

A Vale (VALE3) divulga seu balanço após o fechamento do mercado nesta quinta-feira (12), e investidores acompanham com atenção a possibilidade de novos anúncios relacionados à distribuição de dividendos.

Em dezembro, a mineradora já havia comunicado o pagamento de proventos referentes aos primeiros nove meses do ano, como antecipação da destinação do resultado do exercício de 2025, respeitando a remuneração mínima prevista em sua política de dividendos. Agora, o mercado espera saber se haverá nova distribuição ligada aos resultados ainda referentes ao último exercício.

Projeção indica dividend yield entre 7,5% e 9%

Para 2026, a expectativa é de que a Vale mantenha uma remuneração relevante aos acionistas. Segundo João Daronco, analista CNPI da Suno Research, o dividend yield da companhia pode ficar entre 7,5% e 9%. O retorno estimado considera o preço do minério de ferro oscilando entre US$ 95 e US$ 105 por tonelada, patamar que sustentaria a geração de caixa da mineradora.

Apesar de a empresa ter ajustado recentemente seu guidance de produção para um intervalo entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas, a expectativa é de manutenção de uma geração robusta de caixa, apoiada no controle de custos e na maior participação da divisão de Metais Básicos, como cobre e níquel, que ajudam a reduzir a dependência exclusiva do minério de ferro.

Pagamentos podem superar US$ 4 bilhões no ano

De acordo com as estimativas do analista, a companhia deve cumprir com folga sua política mínima de remuneração aos acionistas, com possibilidade de pagamentos totais acima de US$ 4 bilhões ao longo do ano.

Além disso, cenários mais favoráveis para o mercado de commodities podem ampliar esse potencial. Caso o minério de ferro supere US$ 110 por tonelada e haja redução mais acelerada das provisões relacionadas a reparações de Mariana e Brumadinho, a empresa poderia considerar dividendos extraordinários. Nessa hipótese, o retorno ao acionista poderia alcançar dois dígitos.

Endividamento menor pode abrir espaço para proventos extras

Durante teleconferência de resultados, o diretor financeiro da Vale, Marcelo Bacci, afirmou que a dívida líquida expandida vinha se aproximando da metade da faixa considerada adequada pela companhia, estimada entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões.

Segundo o executivo, quando o endividamento se posiciona nessa região intermediária, a empresa ganha maior flexibilidade para devolver capital aos acionistas, seja por meio de dividendos extraordinários ou outras formas de remuneração.

Cenário mais fraco pode priorizar recompra de ações

Por outro lado, um ambiente mais conservador pode alterar a estratégia de distribuição. Caso a demanda chinesa desacelere e o preço do minério caia abaixo de US$ 90 por tonelada, a tendência seria priorizar programas de recompra de ações (buybacks).

Nesse caso, parte do retorno ao investidor poderia ocorrer por meio da valorização dos papéis em circulação, reduzindo o volume de dividendos pagos diretamente em dinheiro. O yield em proventos tenderia a se manter mais próximo do piso estimado, em torno de 7%.

Visão Bolso do Investidor

A política de dividendos da Vale está diretamente ligada ao ciclo das commodities, à geração de caixa operacional e ao nível de endividamento da companhia. Preços mais altos do minério de ferro e redução de passivos tendem a ampliar a capacidade de pagamento, enquanto cenários de demanda mais fraca podem direcionar recursos para recompras ou preservação de caixa.

Para investidores, acompanhar o balanço, o guidance de produção, a trajetória da dívida e o comportamento do mercado chinês segue sendo fundamental para estimar o potencial de proventos ao longo do ano.

Fontes: InfoMoney