Polícia Federal aponta indícios de repasses a Dias Toffoli ligados a Daniel Vorcaro em investigação sobre o Banco Master

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 12 de fevereiro de 2026

A Polícia Federal identificou indícios de pagamentos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master. As informações constam em relatório da corporação que veio a público por meio da imprensa.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, o documento reúne registros de telefonemas entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro, além de um convite feito ao empresário para a festa de aniversário de Toffoli. O relatório também menciona conversas de Vorcaro com terceiros sobre pagamentos vinculados ao resort Tayayá, empreendimento pertencente à família do magistrado.

O material, com cerca de 200 páginas, foi entregue pessoalmente ao presidente do STF, Edson Fachin, pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Embora não haja pedido formal de suspeição do ministro, o conteúdo descreve elementos que, segundo integrantes da Corte ouvidos pelo jornal, poderiam comprometer sua permanência na relatoria e no julgamento do caso envolvendo o Banco Master.

Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Toffoli reconheceu a interlocutores ter recebido recursos da empresa Maridt, que detém participação no resort Tayayá, por ser sócio da companhia ao lado de familiares. Ele afirmou que os valores recebidos foram regulares e devidamente declarados à Receita Federal. Essa teria sido a primeira ocasião em que o ministro detalhou publicamente sua participação societária na empresa.

O Estadão informou que Toffoli é sócio anônimo da Maridt, estruturada como uma sociedade anônima de capital fechado administrada por dois de seus irmãos. Em 2021, a empresa vendeu sua fatia de 33% no resort Tayayá ao fundo Arleen, administrado pela Reag Investimentos. Entre os acionistas do fundo estava o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Segundo a Folha de S.Paulo, o fundo chegou a aportar R$ 20 milhões em empresas ligadas ao empreendimento.

Ainda conforme o Estadão, Toffoli recebeu dividendos referentes à sua participação na Maridt, mas declarou a interlocutores e ao presidente do STF que, quando passou a conduzir o caso do Banco Master, a empresa já não mantinha participação no resort havia anos. O ministro também afirmou que todas as distribuições foram informadas à Receita Federal e aprovadas pelo órgão.

Em nota, Toffoli classificou o relatório da Polícia Federal como baseado em “ilações” e sustentou que a corporação não teria legitimidade para solicitar sua suspeição. Ele afirmou que apresentará manifestação formal ao presidente da Corte. De acordo com relatos publicados pelo Estadão, o ministro não pretende deixar a relatoria do processo e sustenta que não cometeu irregularidades. Já a defesa de Vorcaro declarou ao jornal que houve “vazamento seletivo de informações”.

Toffoli tornou-se relator das investigações relacionadas ao Banco Master após atender a pedido da defesa de Vorcaro para que o processo fosse remetido ao Supremo, em razão da menção ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que possui foro privilegiado. Desde então, decisões tomadas pelo ministro no andamento do caso têm gerado questionamentos.

Caberá ao presidente do STF avaliar o conteúdo do relatório e decidir sobre o eventual encaminhamento de pedido de suspeição.

Visão Bolso do Investidor

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Fontes:

  • InfoMoney