Crescimento dos FIIs reacende debate sobre tamanho ideal de fundos de fundos no mercado imobiliário

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 12 de fevereiro de 2026

O avanço da indústria de fundos imobiliários no Brasil tem levantado uma nova discussão entre gestores e investidores: existe um tamanho ideal para os fundos de fundos (FOFs)? A questão ganha relevância à medida que o mercado amadurece e os veículos passam a disputar espaço em operações cada vez maiores.

No segmento de fundos de tijolo e de crédito, o porte costuma ser visto como um diferencial competitivo, já que estruturas maiores conseguem acessar mesas de negociação relevantes e participar de transações imobiliárias de grande porte. No caso dos FOFs, entretanto, o tema divide opiniões.

Para Mauro Dahruj, gestor do HFOF11 (Hedge TOP FOFII 3), a resposta depende essencialmente da estratégia adotada pelo fundo. Segundo ele, o posicionamento tático é mais determinante do que o volume de patrimônio.

“Essa é uma provocação válida. Depende de como você quer posicionar o seu fundo”, afirmou durante participação no programa Liga de FIIs, do InfoMoney.

De acordo com o gestor, ao longo dos oito anos de atuação do HFOF, a proposta sempre foi acessar as melhores oportunidades disponíveis, tanto em fundos listados com maior liquidez quanto em operações estruturadas no mercado imobiliário.

Dahruj ressaltou que menos da metade do portfólio atual do HFOF está atrelada ao IFIX, o principal índice de fundos imobiliários da bolsa. Isso indica uma estratégia que vai além dos grandes fundos líquidos. Mais da metade das posições envolve operações estruturadas, que não necessariamente incluem fundos de grande porte ou elevada liquidez.

Segundo ele, o dinamismo do mercado permite alternar entre oportunidades negociadas em bolsa e estruturas customizadas, ampliando o leque de possibilidades de alocação.

Crescimento da indústria ampliou diversidade

Na avaliação do gestor, o mercado brasileiro de FIIs evoluiu significativamente nas últimas duas décadas. Ele lembrou que, quando o fundo iniciou suas atividades, o setor era cerca de 20 vezes menor.

O aumento da liquidez e da diversidade de ativos, segundo Dahruj, abriu espaço para uma atuação mais ativa dos FOFs. Ele afirmou preferir estratégias de gestão ativa, nas quais a equipe busca identificar oportunidades específicas, em vez de estruturas passivas.

Para ele, o tamanho do fundo tem menor peso do que a capacidade de análise e execução da gestora na construção de uma carteira que agregue valor aos cotistas.

Capilaridade e limites operacionais

Isabella Almeida, gestora da Rio Bravo, também participou do debate e destacou que fundos multiestratégia, conhecidos como hedge funds, tendem a ter maior capilaridade do que os FOFs tradicionais, justamente por explorarem um universo mais amplo de ativos.

Ainda assim, ela ponderou que o porte do fundo pode impor restrições práticas. Em segmentos com menor liquidez, um crescimento excessivo pode dificultar tanto a entrada quanto a saída de posições, reduzindo a flexibilidade da gestão.

Por outro lado, fundos muito pequenos podem não dispor de capital suficiente para acessar oportunidades maiores, como aquisições diretas de imóveis, além de correrem o risco de concentrar demais a carteira.

Para Almeida, o crescimento ideal ocorre de forma gradual e alinhada ao desenvolvimento do próprio mercado. “Os fundos vão crescendo conforme o mercado também cresce”, afirmou.

A entrevista completa pode ser conferida na edição desta semana do programa Liga de FIIs, exibido às quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no YouTube, onde também estão disponíveis as edições anteriores.

Visão Bolso do Investidor

O debate sobre o tamanho ideal dos FOFs reflete a maturidade crescente da indústria de fundos imobiliários no Brasil. Fundos maiores podem ter mais poder de negociação e acesso a operações relevantes, enquanto estruturas menores tendem a oferecer maior agilidade e flexibilidade. Para o investidor, entender o perfil de gestão, ativo ou passivo, a estratégia de alocação e a liquidez dos ativos pode ser mais relevante do que apenas o patrimônio total do fundo, já que esses fatores influenciam diretamente risco, diversificação e potencial de retorno.


Fontes:

  • InfoMoney