Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 13 de fevereiro de 2026

O IRB Re (IRBR3) voltou a apresentar números mistos no quarto trimestre de 2025. Embora a linha de receita tenha decepcionado parte do mercado, o desempenho operacional e a rentabilidade mostraram sinais de recuperação, levando bancos a enxergar tendência de melhora para os próximos períodos.
A resseguradora reportou lucro líquido de R$ 143 milhões no trimestre, avanço de 45% em relação ao trimestre anterior e de 27% na comparação anual. O resultado ficou 3% abaixo do consenso da Bloomberg.
Segundo o Goldman Sachs, o crescimento dos prêmios ganhos foi impulsionado por menores despesas com retrocessão e pela reversão de provisões técnicas, o que favoreceu o resultado operacional. Sinistros e custos de aquisição permaneceram relativamente controlados.
No acumulado de 2025, o índice combinado alcançou 97%, indicando melhora na rentabilidade operacional. Apesar de o resultado financeiro ter recuado na comparação trimestral no quarto trimestre, o desempenho anual avançou, sustentando retorno sobre patrimônio (ROE) de 10,7%, ante 8,6% em 2024.
Para o Goldman, a tendência de recuperação operacional pode ser bem recebida pelo mercado ao longo de 2026. A companhia também deve propor seu primeiro pagamento de dividendos em cinco anos, com votação prevista para 31 de março.
Receita pressiona resultados
O principal ponto de atenção ficou na evolução dos prêmios emitidos, que recuaram 31% frente ao trimestre anterior e 16% na comparação anual, ficando ainda 18% abaixo das estimativas do Goldman Sachs. A retração foi atribuída principalmente a cancelamentos no segmento de vida e menor volume de subscrição no rural.
Por outro lado, os prêmios ganhos cresceram 34% na base trimestral, embora tenham caído 5% em relação ao ano anterior. Ainda assim, superaram em 25% a projeção do banco, beneficiados por menores despesas com retrocessão e reversão de provisões técnicas.
A reserva de prêmios não ganhos caiu para R$ 2,9 bilhões, ante R$ 3,0 bilhões no terceiro trimestre.
No mercado brasileiro, os prêmios ganhos avançaram 41% frente ao trimestre anterior, mas recuaram 20% na comparação anual. No exterior, houve crescimento de 24% na base trimestral e de 7% na anual.
O segmento de Property apresentou alta de 8% frente a 2024, enquanto vida, riscos especiais e rural registraram retrações relevantes.
Custos e sinistralidade
O índice de sinistralidade caiu para 51,6%, ante 61,2% no terceiro trimestre e 64,0% no mesmo período de 2024. A melhora foi atribuída à normalização do segmento de Property no Brasil.
O índice de despesas de aquisição também recuou, passando de 21,7% para 16,4% na comparação trimestral, além de ficar abaixo dos 18,5% observados no quarto trimestre de 2024.
Já o índice de despesas administrativas avançou levemente para 14,4%, ante 14,1% no trimestre anterior, possivelmente refletindo investimentos em tecnologia.
O resultado financeiro somou R$ 142 milhões, queda de 18% frente ao trimestre anterior, mas alta de 48% na comparação anual. O desempenho foi impactado pela venda de um título soberano com prejuízo de R$ 17 milhões.
Avaliações dos bancos
O Goldman Sachs manteve recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 49 para 12 meses. O cálculo foi feito com base em modelo de desconto de dividendos, considerando custo de capital próprio de 17,6%, crescimento de 7% no segundo estágio e crescimento terminal de 6%. A ação negocia a 8,1 vezes o lucro estimado para 2026, enquanto o preço-alvo implica múltiplo de 6,6 vezes.
A Genial Investimentos avaliou que o resultado confirma avanço da reestruturação operacional, com melhora na seleção de riscos. Segundo a casa, o IRB parece ter superado a fase mais crítica e agora foca na recomposição de margens e rentabilidade.
O JPMorgan destacou que a receita voltou a frustrar, com prêmios emitidos recuando 16% e prêmios ganhos caindo 5% na base anual. No Brasil, a retração foi mais acentuada, com queda de 20%, especialmente no segmento agrícola, que encolheu 92%.
O banco observou que a sinistralidade ficou em 52%, com 37% no Brasil e 75% no exterior. Para os analistas mais pessimistas, esse nível de sinistros pode não ser sustentável, enquanto os mais otimistas destacam o controle de despesas.
Mesmo com a decepção na linha de receita, o JPMorgan acredita que o IRB pode se tornar um forte pagador de dividendos. Com a ação negociando a 8,2 vezes o lucro, o banco reiterou recomendação equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 64.
Visão Bolso do Investidor
Os resultados do IRB mostram a importância de diferenciar crescimento de receita e melhoria operacional. Enquanto a retração dos prêmios sinaliza desafios comerciais, a queda na sinistralidade, o controle de custos e a geração de caixa indicam avanço na qualidade do resultado. Para investidores, acompanhar a capacidade de recompor volumes sem comprometer a rentabilidade será decisivo para avaliar a sustentabilidade da recuperação e o potencial de distribuição de dividendos nos próximos anos.
Fontes:
- InfoMoney
