Moedas de emergentes mostram menor volatilidade que as do G7 e surpreendem investidores globais

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 16 de fevereiro de 2026

As moedas de países emergentes vêm apresentando comportamento mais estável do que as de economias desenvolvidas, um movimento considerado incomum por analistas do mercado internacional. Dados de volatilidade do JPMorgan indicam que as moedas de países em desenvolvimento oscilaram menos que as de nações do G7 por quase 200 dias consecutivos — o período mais longo desde 2008.

Caso a sequência ultrapasse 208 dias, será o recorde desde o ano 2000.

Segundo análise da Bloomberg, a estabilidade do grupo, normalmente visto como mais arriscado, decorre de uma combinação de fatores macroeconômicos e financeiros.

Dólar mais fraco e política monetária

Entre os principais elementos está o enfraquecimento do dólar e a expectativa de flexibilização gradual da política monetária do Federal Reserve. Esse cenário reduz pressões sobre economias emergentes, que tradicionalmente sofrem quando a moeda americana se fortalece.

Ao mesmo tempo, preços elevados de commodities e fluxos consistentes de capital têm sustentado a demanda por ativos desses países.

De acordo com Jason Pang, gestor de renda fixa da JPMorgan Asset Management em Hong Kong, o ambiente favorece operações de carry trade — estratégia em que investidores captam recursos em moedas de baixo rendimento para aplicar em ativos de maior retorno nos mercados emergentes.

Essa dinâmica tende a atrair fluxos contínuos para ativos locais e contribui para estabilizar as moedas.

Fluxos de capital e desempenho

Um indicador da Bloomberg mostra que investidores têm direcionado recursos a mercados emergentes no ritmo mais forte para este período desde 2019, ampliando o movimento observado no ano anterior, que foi o maior desde 2009.

Um índice da Bloomberg com oito moedas emergentes acumula valorização aproximada de 2,8% no ano, após avanço de 17,5% no ano passado.

Fatores estruturais

Analistas também destacam melhorias estruturais nas economias emergentes. Entre elas estão fundamentos macroeconômicos mais sólidos, crescimento relativamente superior ao das economias avançadas e níveis elevados de reservas internacionais.

Segundo Matthew Ryan, estrategista da Ebury Partners Ltd., esses fatores devem ajudar a manter a volatilidade cambial sob controle ao longo do ano.

Turbulências nos países desenvolvidos

Enquanto isso, moedas de economias desenvolvidas enfrentam maior instabilidade.

A volatilidade do dólar aumentou após ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas à Europa no contexto de discussões sobre a Groenlândia, além de incertezas relacionadas a decisões do Federal Reserve.

O iene japonês também apresentou oscilações diante de preocupações fiscais e possibilidade de intervenção cambial pelas autoridades. Há ainda receio de desmonte de operações de carry trade com a moeda japonesa, visto como um risco potencial.

Além disso, dúvidas sobre a trajetória fiscal dos Estados Unidos levaram parte dos investidores a buscar alternativas ao dólar.

Segundo Daniel Tan, gestor da Grasshopper Asset Management, investidores estão observando moedas consideradas menos voláteis dentro do grupo emergente, como o dólar de Singapura, o baht e o yuan.

Para ele, essa tendência pode persistir até que ocorra um novo evento global de risco relevante.

Visão Bolso do Investidor

A redução da volatilidade das moedas emergentes pode influenciar os fluxos globais de capital e afetar diretamente juros, bolsas e câmbio em países como o Brasil. Em ambientes de dólar mais fraco e juros globais em queda, ativos de mercados emergentes tendem a se tornar mais atrativos, favorecendo investimentos estrangeiros. Para investidores, acompanhar o cenário internacional e a dinâmica cambial ajuda a compreender movimentos de câmbio, inflação e política monetária doméstica.


Fontes:

  • InfoMoney
  • Bloomberg