Brasil tem 2ª maior reserva de terras raras, mas produção limitada levanta alerta sobre perda de oportunidade

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19 de fevereiro de 2026

O Brasil possui cerca de 23% das reservas globais de terras raras, a segunda maior do mundo, mas responde por menos de 1% da produção mundial. A discrepância foi destacada em relatório do Bank of America (BofA), que classificou o cenário como uma contradição estratégica para o país.

As terras raras são insumos essenciais para setores como veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos, componentes centrais da transição energética global.

Domínio da China na cadeia produtiva

Segundo o relatório, a China continua dominando as etapas mais críticas da cadeia produtiva: separação e refino. O país asiático lidera a produção global de óxidos de terras raras e concentra totalmente a separação dos elementos de maior valor, conhecidos como HREE (heavy rare earth elements).

Essa vantagem garante ao país posição estratégica na fabricação de ligas metálicas e ímãs permanentes, componentes fundamentais para tecnologias energéticas e eletrônicas.

Os analistas responsáveis pelo estudo apontam que o Brasil detém cerca de 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, principalmente em depósitos de argilas iônicas. Esse tipo de formação apresenta processamento mais simples, menor custo e menor impacto ambiental quando comparado às rochas duras exploradas em países como Austrália e Estados Unidos.

Entre os elementos encontrados estão disprósio, térbio, neodímio e praseodímio, considerados estratégicos para a indústria de ímãs permanentes.

Apesar da vantagem geológica, o país ainda gera pouco valor agregado: exporta principalmente material bruto e importa compostos mais processados, muitos deles provenientes da própria China.

Entraves ao desenvolvimento

O BofA identifica vários fatores que explicam o atraso brasileiro. Um deles é a dificuldade de financiamento, já que direitos minerários não podem ser usados como garantia, o que encarece o acesso ao crédito.

Também há fragmentação regulatória e ausência de uma estratégia nacional integrada para conectar mineração, processamento e manufatura.

Outro obstáculo é a dependência tecnológica externa, pois o país ainda não possui capacidade industrial suficiente para separar ou refinar os materiais em escala.

Sinais de avanço

Apesar das limitações, alguns projetos começam a evoluir para fases piloto e de desenvolvimento, com destaque para a Serra Verde, atualmente o único empreendimento do setor em escala comercial no país.

Em 2025, as exportações de metais raros atingiram recorde, impulsionadas pelo início das operações do projeto. Ainda assim, o Brasil segue como importador líquido de compostos processados de terras raras.

Segundo o relatório, o aproveitamento do potencial dependerá da expansão da capacidade de separação e refino, da atração de capital, do sequenciamento adequado dos projetos e da implementação de uma política industrial coordenada.

Visão Bolso do Investidor

As terras raras são consideradas estratégicas para a economia global por sua relação com energia limpa, eletrônicos e indústria de defesa. O desenvolvimento dessa cadeia produtiva pode influenciar investimentos industriais, comércio exterior e posicionamento geopolítico do país. Para investidores, o avanço do setor pode impactar empresas de mineração, infraestrutura e indústria tecnológica, além de alterar a inserção do Brasil em cadeias globais de valor.


Fontes:

  • Infomoney