JPMorgan inclui WEG em lista de catalisadores negativos antes do balanço; ação cai mais de 4%

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19 de fevereiro de 2026

A WEG (WEGE3) entrou na lista de atenção para catalisadores negativos do JPMorgan às vésperas da divulgação do resultado do quarto trimestre de 2025 (4T25), prevista para 25 de fevereiro, antes da abertura do mercado.

Apesar de manter recomendação overweight (equivalente à compra), o banco avalia que o perfil de risco no curto prazo é assimétrico, com maior potencial de queda do que de alta. Por volta das 12h desta quinta-feira (19), as ações recuavam 4,25%, negociadas a R$ 51,17.

Valuation elevado e expectativa de trimestre fraco

O JPMorgan destaca que a WEG negocia a múltiplos considerados elevados: cerca de 32 vezes o lucro estimado para 2026 (P/L) e 21,6 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda projetado para o mesmo ano.

O banco espera um quarto trimestre fraco, com crescimento modesto da receita e margens pressionadas. Embora parte do mercado já esteja ciente da possível fraqueza do período, os analistas avaliam que a confirmação de um trimestre mais fraco pode levar a revisões negativas nas estimativas para 2026.

A instituição também ressalta que, nos últimos cinco trimestres, as ações da companhia caíram mais de 5% em quatro ocasiões após a divulgação de resultados, mesmo quando os números ficaram em linha com o consenso.

Desde os resultados do terceiro trimestre de 2025, divulgados em outubro, as ações acumulam alta de 35%, desempenho superior ao do Ibovespa no mesmo período (29%) e contrastando com a queda de 8% do dólar frente ao real.

Argumentos dos otimistas

Entre os fatores positivos, o JPMorgan destaca a qualidade da companhia e sua exposição a tendências estruturais, como a eletrificação e o crescimento do mercado de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS).

O primeiro leilão do governo brasileiro para esse segmento está previsto para abril, envolvendo uma nova usina de BESS com capacidade de 2 GWh, com início de operação em 2027.

A demanda por transformadores segue sólida, impulsionada por novas conexões à rede, data centers e expansão da inteligência artificial. Segundo o banco, o crescimento da companhia deve atingir seu ponto mais baixo em 2026, com recuperação prevista a partir de 2027, quando novas capacidades produtivas começarem a contribuir para a receita.

As exportações para os Estados Unidos também permanecem robustas, conforme dados da Secex, mesmo diante de tarifas impostas pelo governo norte-americano.

Para investidores otimistas, a WEG também pode funcionar como proteção contra a depreciação do real, diferentemente de empresas de commodities que enfrentam desafios específicos.

Argumentos dos pessimistas

Por outro lado, analistas mais cautelosos argumentam que o valuation atual está cerca de 15% acima da média dos últimos três anos em termos de P/L, em um momento de resultados sequenciais fracos.

A expectativa é de crescimento anual de apenas 2% na receita no quarto trimestre, e o atual nível do real pode representar risco adicional para as estimativas.

Além disso, parte do desempenho recente teria sido impulsionada por fluxo de capital para mercados emergentes, e não necessariamente por melhora nos fundamentos da companhia.

O JPMorgan também destaca que a WEG não é considerada um veículo direto para capturar uma eventual recuperação econômica doméstica, já que cerca de 60% da receita bruta é gerada fora do Brasil. A empresa também possui posição de caixa líquido, o que reduz a sensibilidade a um eventual ciclo de afrouxamento monetário.

Avaliação de outros bancos

O Bradesco BBI aponta que a companhia segue sustentada por fundamentos sólidos, mas considera que parte relevante das perspectivas positivas já está incorporada nos preços.

No trimestre, o banco espera algum alívio na margem Ebitda, embora a base de comparação continue pressionada.

Visão Bolso do Investidor

A análise sobre a WEG mostra o equilíbrio entre fundamentos de longo prazo e riscos de curto prazo ligados a valuation e dinâmica de resultados. Empresas com histórico de crescimento consistente podem enfrentar maior sensibilidade quando negociadas a múltiplos elevados. Para investidores, o acompanhamento das margens, carteira de pedidos e evolução do mercado de energia e infraestrutura será determinante para avaliar se o preço atual reflete adequadamente o potencial de geração de valor nos próximos anos.


Fontes:

  • Infomoney