94% dos reajustes salariais superam inflação em janeiro, aponta Dieese

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 20 de fevereiro de 2026

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que 94% dos reajustes salariais negociados em janeiro garantiram ganho real aos trabalhadores, ou seja, ficaram acima da inflação acumulada no período. O resultado é o melhor registrado para uma data-base nos últimos 12 meses.

O estudo analisou 364 acordos e convenções coletivas registrados no Ministério do Trabalho até 2 de fevereiro.

Ganho real acima da inflação

Segundo o Dieese, a variação real média dos salários foi de 2,12% acima da inflação. O índice de referência utilizado foi o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), do IBGE, que acumulou alta de 4,3% em 12 meses até janeiro.

Entre os acordos:

  • 94% tiveram aumento acima da inflação
  • 4,1% ficaram exatamente na inflação
  • apenas 1,9% registraram perdas reais

A grande maioria dos reajustes foi paga integralmente já na data-base, com apenas 0,5% dos casos parcelados.

Motivos para o resultado positivo

O Dieese aponta dois fatores principais para o desempenho:

Desaceleração da inflação desde o último trimestre de 2025, reduzindo o reajuste necessário para reposição do poder de compra. Valorização do salário mínimo, reajustado em 6,79% no início do ano, influenciando negociações coletivas.

A tendência de ganhos reais já vinha sendo observada desde setembro de 2025.

Negociações devem ficar mais difíceis

Apesar do bom resultado de janeiro, o índice de reajuste necessário voltou a subir nas negociações de fevereiro, passando de 3,90% para 4,30%, acompanhando a inflação mais recente medida pelo INPC.

O levantamento considera trabalhadores celetistas do setor privado e de estatais, não incluindo servidores estatutários nem trabalhadores informais.

Visão Bolso do Investidor

Ganhos reais de salário são importantes para a economia porque aumentam o consumo das famílias, principal motor do PIB brasileiro. Em geral, isso favorece setores ligados ao varejo, serviços e crédito.

Por outro lado, renda maior também pode dificultar a queda dos juros se pressionar a inflação. Para o investidor, esse tipo de dado costuma influenciar diretamente as expectativas sobre a política monetária e a trajetória da Selic.

Fontes: Estadão Conteúdo; InfoMoney