Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de fevereiro de 2026

A história da Amazon, hoje uma das maiores empresas do planeta, começou de forma simples. Em 1994, Jeff Bezos deixou sua carreira em Wall Street e se mudou para Bellevue, no estado de Washington, com a ideia de criar uma livraria online. O projeto, inicialmente modesto, seria o ponto de partida para a companhia que décadas depois alcançaria valor de mercado trilionário e ocuparia o topo da lista Fortune 500 em 2026.
A primeira sede da empresa era uma casa alugada. Bezos trabalhava ao lado de sua então esposa, MacKenzie Scott, embalando livros manualmente e levando as encomendas ao correio. A garagem, com equipamentos improvisados e servidores operando continuamente, tornou-se o centro das operações iniciais e símbolo do nascimento do negócio.
Mentalidade do “Dia 1”
A experiência do início influenciou diretamente a filosofia de gestão adotada por Bezos. O fundador desenvolveu o conceito de “Dia 1”, segundo o qual a empresa deve operar todos os dias como se estivesse começando. A ideia era manter espírito de inovação constante, disposição para assumir riscos e aperfeiçoamento contínuo guiado por dados.
Essa visão também refletia sua obsessão pela experiência do cliente e pelo planejamento de longo prazo. O foco não estava em lucros imediatos, mas na construção de uma estrutura capaz de crescer rapidamente e sustentar expansão futura.
Primeiros passos improvisados
Nos primeiros meses, a falta de recursos era evidente. A equipe pequena não possuía escritório estruturado e, em algumas ocasiões, reuniões estratégicas aconteciam em uma livraria da rede Barnes & Noble. A situação era simbólica: uma livraria digital nascente organizando seu plano de crescimento dentro de uma grande livraria física tradicional.
Quando a empresa conseguiu um escritório formal, a cultura de economia permaneceu. Bezos utilizava portas reaproveitadas como mesas para si e para funcionários, reforçando a ideia de evitar desperdícios e priorizar investimento no crescimento do negócio.
Estratégia de expansão acelerada
O primeiro produto vendido pela empresa foram livros usados, escolhidos pela facilidade logística e ampla demanda. Ainda assim, a ambição do fundador era maior: construir uma loja capaz de vender qualquer tipo de produto para qualquer consumidor.
Para financiar o crescimento, Bezos buscou recursos com familiares, amigos e investidores iniciais, cedendo participação societária em troca de capital. Ele priorizou escala mesmo com prejuízos no curto prazo, apostando que a infraestrutura construída seria uma vantagem competitiva futura.
Esse modelo levou a empresa a investir pesadamente em logística e distribuição, o que posteriormente se transformaria em uma das redes mais avançadas do comércio eletrônico mundial.
De livraria online a plataforma global
No final da década de 1990, a empresa deixou de vender apenas livros e passou a comercializar música, filmes e diversos outros produtos. Com o tempo, lançou serviços que ampliaram sua atuação, incluindo assinaturas de entrega, leitores digitais e computação em nuvem.
A abertura da plataforma para vendedores terceiros e a criação da divisão de nuvem transformaram a companhia em mais do que um varejista. A empresa passou a atuar como infraestrutura tecnológica e comercial para milhões de empresas e consumidores ao redor do mundo.
A Amazon também atravessou o colapso das empresas pontocom e manteve o ritmo de inovação, ampliando sua presença em diferentes setores e integrando serviços digitais e físicos.
Impacto econômico e posição atual
Hoje a companhia atua em comércio eletrônico, serviços de nuvem, entretenimento e inteligência artificial. Seu valor de mercado atingiu cerca de US$ 2,2 trilhões em 2025, posicionando-a entre as empresas mais valiosas do mundo.
Além dos resultados financeiros, a empresa alterou padrões de logística, influenciou cadeias produtivas e levantou discussões sobre concorrência, regulação e relações de trabalho. Sob a liderança atual, a estratégia inclui expansão de serviços baseados em inteligência artificial e integração de novas tecnologias ao ecossistema existente.
Visão Bolso do Investidor
A trajetória da Amazon ilustra como modelos de negócio baseados em escala, tecnologia e reinvestimento podem transformar setores inteiros da economia. A priorização do crescimento sobre o lucro imediato mostra uma estratégia comum em empresas de tecnologia, nas quais o valor de longo prazo depende da construção de infraestrutura e base de usuários.
Para investidores, o caso demonstra que grandes companhias nem sempre apresentam resultados imediatos nos primeiros anos, mas podem gerar valor relevante ao consolidar vantagens competitivas duradouras. O acompanhamento da estratégia, da capacidade de inovação e da posição de mercado torna-se tão importante quanto a análise dos resultados financeiros de curto prazo.
No contexto econômico mais amplo, empresas desse porte influenciam produtividade, comércio internacional e comportamento do consumidor, além de impactarem diretamente mercados de tecnologia e serviços.
Fontes: Fortune; InfoMoney
