Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de fevereiro de 2026

O Grupo Ultra (UGPA3) contratou o BTG Pactual para assessorar a possível venda da rede de postos Ipiranga, seu braço de distribuição de combustíveis. A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e indica que o movimento pode abrir uma nova rodada de consolidação no setor de energia e combustíveis no país.
Segundo a reportagem, potenciais interessados já estariam em conversas iniciais com a companhia, incluindo a francesa TotalEnergies, a saudita Saudi Aramco e a J&F Investimentos.
Reestruturação e estratégia da Ultrapar
Apesar de ainda não haver confirmação sobre a concretização do negócio, analistas avaliam que a iniciativa está alinhada ao processo de reorganização estratégica da Ultrapar. Nos últimos anos, a companhia passou por mudanças relevantes em seu portfólio, com venda de ativos, revisão de operações e a aquisição da Hidrovias do Brasil.
Relatórios do Goldman Sachs apontam que o grupo pode estar retomando uma postura mais ativa em fusões e aquisições (M&A), após cinco anos de reestruturação operacional. O banco também destaca que houve especulações recentes sobre uma possível aquisição de participação na Rumo (RAIL3), reforçando a percepção de reposicionamento estratégico.
A Ipiranga, principal ativo operacional da Ultrapar, possui estimativa de Ebitda em torno de R$ 4,2 bilhões para 2026, segundo projeções do banco.
Outro fator relevante é a agenda recente de combate à informalidade no mercado de combustíveis, que tende a melhorar a competitividade das grandes distribuidoras formais. O movimento, somado ao aumento do fluxo de capital para ações domésticas brasileiras, contribuiu para a reprecificação das empresas do setor.
Movimentações também atingem a Vibra
O noticiário também envolveu a Vibra Energia (VBBR3), concorrente direta da Ipiranga. Reportagem do Brazil Journal indicou que a empresa estaria negociando a entrada de um novo sócio estratégico para a Comerc, braço de energia renovável do grupo. A possibilidade levantada seria a participação da francesa EDF.
Posteriormente, a Vibra negou negociações específicas com a companhia, mas analistas do Goldman Sachs avaliam que a entrada de um parceiro estratégico poderia ampliar a base de ativos da Comerc e reduzir a necessidade de venda da participação.
A estimativa de valor da firma (enterprise value) da Comerc gira em torno de R$ 9,7 bilhões, enquanto a dívida líquida reportada no terceiro trimestre de 2025 foi de aproximadamente R$ 4,1 bilhões.
O banco mantém preferência relativa pela Vibra entre as empresas de distribuição de combustíveis, classificando a companhia como um “pure play” do setor. A recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 36,20, baseada em avaliação por soma das partes.
Visão Bolso do Investidor
Uma eventual venda da Ipiranga teria impacto relevante no setor de distribuição de combustíveis no Brasil. A operação poderia acelerar a consolidação do mercado e abrir espaço para novos investimentos estrangeiros no país. Para investidores, movimentos desse tipo costumam alterar dinâmicas competitivas, margens e posicionamento estratégico das empresas, influenciando diretamente o valuation das companhias do setor de energia e logística.
Fontes:
- InfoMoney
