Mercado imobiliário bate recordes em 2025 mesmo com juros altos e projeta novo crescimento

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de fevereiro de 2026

O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com desempenho histórico em lançamentos e vendas de imóveis residenciais verticais, apesar do ambiente de crédito mais caro. Os dados constam nos Indicadores Imobiliários Nacionais do quarto trimestre de 2025 divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Ao longo do ano foram lançadas 453.005 unidades, crescimento de 10,6% em relação a 2024, somando R$ 292,3 bilhões em valor geral lançado. O resultado reflete a reação das incorporadoras à demanda aquecida por moradias, mesmo com a taxa de juros elevada.

No lado das vendas, o setor também registrou máximas históricas. No acumulado de 2025 foram comercializadas 426.260 unidades, alta de 5,4% sobre o ano anterior. Apenas no quarto trimestre foram vendidas 109 mil unidades, o maior volume trimestral já registrado. O valor geral de vendas atingiu R$ 264,2 bilhões no ano.

O Sudeste concentrou o maior número de transações, seguido por Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

Oferta maior, mas mercado ainda saudável

O estoque disponível ao final do quarto trimestre foi de 347.013 unidades, aumento de 7,2% em relação ao mesmo período de 2024. Mesmo assim, o tempo estimado para venda do estoque ficou em 9,8 meses, nível considerado saudável e bem abaixo de períodos de crise, quando esse indicador chegou a quase 30 meses.

O programa Minha Casa Minha Vida teve papel decisivo na atividade do setor. Em 2025 foram lançadas 228.842 unidades dentro do programa e vendidas 196.876, ambos com crescimento anual expressivo. Nas regiões Norte e Nordeste, a iniciativa tornou-se o principal motor da produção habitacional.

Valorização dos imóveis e expectativa para 2026

Os preços dos imóveis também avançaram acima da inflação. O índice IGMI-R registrou alta de 18,6% em 12 meses, enquanto o IPCA ficou em 4,26%.

Para 2026, o setor espera manutenção da demanda, apoiada pela intenção de compra elevada, expansão do crédito imobiliário, orçamento do FGTS e meta governamental de contratação de milhões de moradias pelo programa habitacional. A expectativa é de desempenho igual ou superior ao observado em 2025.

Visão Bolso do Investidor

Os dados mostram que o setor imobiliário manteve força mesmo com juros elevados, indicando demanda estrutural por habitação no país. Para investidores, a combinação de valorização real dos imóveis e expansão de programas habitacionais tende a beneficiar construtoras, incorporadoras e segmentos ligados ao crédito imobiliário. Ao mesmo tempo, a trajetória futura dependerá da queda dos juros e das condições de financiamento, fatores que influenciam diretamente a capacidade de compra das famílias e o ritmo de novos projetos.

Fontes: CBIC; InfoMoney