Dólar fecha a R$ 5,16, menor nível desde 2024, em meio a tarifas dos EUA e entrada de recursos no Brasil

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de fevereiro de 2026

O dólar comercial encerrou a sessão em leve queda nesta segunda-feira, cotado a R$ 5,1693, o menor valor de fechamento desde maio de 2024. No acumulado do ano, a moeda americana registra recuo de 5,82%. Ao longo do dia, a divisa chegou a oscilar, atingindo máxima de R$ 5,1919 pela manhã e mínima de R$ 5,1392 no fim da manhã, quando ativos brasileiros ganharam força e o Ibovespa superou 191 mil pontos. Exportadores aproveitaram as cotações mais altas para vender moeda, o que contribuiu para a pressão de baixa.

O movimento ocorreu em um ambiente internacional de cautela após o presidente dos Estados Unidos anunciar aumento de tarifas de importação temporárias de 10% para 15% para todos os países. A decisão veio após a Suprema Corte derrubar o programa tarifário anterior. Além disso, o fluxo de investimentos para o Brasil e o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continuam favorecendo o real. A taxa americana permanece entre 3,50% e 3,75%, enquanto os juros brasileiros seguem elevados, atraindo capital estrangeiro.

O boletim Focus do Banco Central também indicou melhora nas expectativas: a projeção para o dólar no fim de 2026 recuou para R$ 5,45 e a estimativa para a taxa Selic ao final do ano caiu para 12,13%. No exterior, o dólar apresentou fraqueza diante de várias moedas, enquanto investidores acompanharam também tensões geopolíticas envolvendo negociações entre Estados Unidos e Irã.

Visão Bolso do Investidor

A queda do dólar reduz pressões inflacionárias no Brasil, principalmente em combustíveis, alimentos importados e produtos industriais. Isso pode facilitar o trabalho do Banco Central e contribuir para a trajetória futura dos juros.

Para investidores, um câmbio mais baixo tende a favorecer ativos domésticos, como ações e títulos prefixados, ao mesmo tempo em que diminui a proteção cambial de aplicações atreladas ao dólar. O comportamento da moeda continuará dependente do fluxo de capital externo, da política monetária americana e do cenário fiscal brasileiro.

Fontes: Reuters