Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 24 de fevereiro de 2026

As ações da International Business Machines Corporation registraram forte queda nesta segunda-feira após um anúncio da startup de inteligência artificial Anthropic PBC reacender preocupações sobre o futuro de negócios tradicionais de tecnologia.
Os papéis da companhia recuaram cerca de 13% em um único dia, a maior baixa diária desde outubro de 2000. No acumulado do mês, a desvalorização já se aproxima de 27%, caminhando para o pior desempenho mensal em décadas.
O que motivou a queda
A Anthropic afirmou que seu sistema de IA, chamado Claude Code, pode ajudar empresas a modernizar aplicações escritas em COBOL, uma linguagem de programação criada há várias décadas e ainda amplamente utilizada em sistemas críticos.
Esse ponto é especialmente sensível para a IBM porque grande parte dos softwares em COBOL roda em seus mainframes, computadores corporativos de grande porte usados por bancos, seguradoras e governos. Tradicionalmente, a atualização desses sistemas exige projetos longos e equipes extensas de consultores especializados.
Segundo a própria empresa de IA, ferramentas automatizadas passam a executar etapas complexas de análise e mapeamento desses sistemas, reduzindo drasticamente o tempo e o custo de modernização. Para o mercado, isso significa um risco direto: empresas poderiam atualizar suas plataformas sem depender tanto da consultoria e infraestrutura da IBM.
Por que o COBOL ainda é tão importante
Apesar de antigo, o COBOL continua relevante porque sustenta sistemas financeiros e governamentais críticos. Mainframes são valorizados justamente por sua confiabilidade e estabilidade, qualidades essenciais em operações como processamento bancário e bases de dados públicas.
Como a IBM ainda possui uma parcela relevante de receita associada a esse segmento, investidores interpretaram o avanço da IA como uma possível disrupção estrutural do modelo de negócios.
A onda de vendas no setor de tecnologia
O impacto não ficou restrito à IBM. O anúncio ampliou a aversão a empresas de software tradicional. Um grande ETF global do setor acumula queda próxima de 27% no ano e pode registrar o pior trimestre desde a crise financeira de 2008.
O temor é que ferramentas de inteligência artificial passem a permitir que usuários e empresas criem aplicações próprias, fenômeno apelidado no mercado de “vibe coding”, em que a IA escreve código automaticamente. Caso isso se consolide, a necessidade de softwares corporativos prontos pode diminuir, pressionando receitas, margens e poder de precificação de companhias tradicionais.
Além da Anthropic, tecnologias lançadas por outras empresas de IA também têm contribuído para essa mudança de percepção no mercado, levando investidores a reavaliar o crescimento de companhias consideradas “legadas”.
Visão Bolso do Investidor
O episódio evidencia um ponto cada vez mais relevante: a inteligência artificial não está impactando apenas startups, ela também ameaça negócios consolidados. Empresas que dependem de tecnologia proprietária, manutenção de sistemas antigos ou consultoria técnica podem sofrer forte reprecificação caso a IA reduza barreiras de entrada. Para o investidor, isso reforça a necessidade de analisar não apenas resultados atuais, mas principalmente o risco de disrupção tecnológica.
Fontes:
- Infomoney
- Bloomberg
