Ações do Banco do Brasil caem mais de 5% após balanço, com analistas reforçando postura cautelosa

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 13 de fevereiro de 2026

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) registraram queda superior a 5% nesta sexta-feira, um dia após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. Por volta do fim da manhã, os papéis recuavam 5,26%, negociados a R$ 24,66.

Na sessão anterior, o movimento foi marcado por forte volatilidade. As ações chegaram a subir quase 8% na máxima do dia, mas oscilaram ao longo do pregão e encerraram com alta de 4,5%. Apesar do lucro acima do esperado no trimestre, o mercado demonstrou preocupação com a qualidade dos ativos e com a elevação da inadimplência.

Inadimplência e agro seguem no radar

O banco indicou piora nos índices de atraso, especialmente na carteira do agronegócio, apontada como principal fator negativo do resultado. A administração estima melhora apenas no segundo semestre. Além disso, a instituição prevê um aporte de R$ 5 bilhões para antecipação da contribuição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGU).

Dados operacionais também mostram volumes relevantes de crédito prorrogado (R$ 64 bilhões), renegociado (R$ 80 bilhões) e novas renegociações previstas em programa específico para dívidas rurais, o que mantém a discussão sobre riscos de crédito.

Bancos mantêm recomendação neutra

Após reuniões com a equipe de Relações com Investidores, o JPMorgan manteve recomendação neutra para as ações, destacando que investidores locais seguem mais preocupados com a recuperação da qualidade dos ativos, enquanto estrangeiros veem o banco como descontado em relação a pares globais. O Goldman Sachs também reiterou recomendação neutra, mas elevou o preço-alvo de R$ 21 para R$ 24. O banco projeta lucro líquido recorrente de R$ 24,3 bilhões em 2026 e melhora gradual nos anos seguintes, embora veja incertezas elevadas e riscos para as estimativas.

Visão Bolso do Investidor

O desempenho recente das ações reflete o equilíbrio entre resultados operacionais ainda robustos e preocupações com inadimplência e risco de crédito, especialmente no agronegócio. Para investidores, a evolução da qualidade da carteira, provisões e rentabilidade será determinante para a trajetória dos papéis. Em bancos, o controle do risco costuma pesar tanto quanto o crescimento do lucro na precificação do mercado.

Fontes: InfoMoney