Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 29 de dezembro de 2025

O mercado de ações dos Estados Unidos em 2025 foi marcado por um fenômeno claro: concentração extrema de retornos. Enquanto um grupo reduzido de empresas multiplicou seu valor ao longo do ano, mais da metade das ações que compõem os principais índices americanos terminou o período estagnada ou acumulando perdas reais, mesmo com a economia dos EUA mantendo crescimento.
O desempenho desigual ajuda a explicar por que, apesar de índices como o S&P 500 terem fechado o ano em alta, muitos investidores não sentiram esse ganho na prática. Em um ambiente de juros elevados, o mercado passou a ser mais seletivo, premiando companhias com crescimento claro, geração de caixa e posição estratégica, especialmente ligadas à infraestrutura de inteligência artificial.
Segundo a gestora Franklin Templeton, o consumo resiliente e o investimento corporativo sustentaram o mercado em 2025, com destaque para gastos em tecnologia. Ainda assim, esse crescimento ficou concentrado em poucos nomes.
Durante o evento Onde Investir 2026, do InfoMoney, Artur Wichmann, CIO da XP, resumiu bem o movimento:
“A inteligência artificial não é um tema de curto prazo. Estamos falando de um ciclo de investimento que deve durar muitos anos. Ainda estamos no começo da curva de adoção.”
As 10 ações que mais subiram em 2025
O ranking das maiores altas mostra uma dominância clara de empresas ligadas a chips, armazenamento de dados, semicondutores e softwares essenciais para IA. São companhias que fornecem a base física e digital da nova geração de aplicações tecnológicas.
Além disso, casos específicos, como a Warner Bros. Discovery, também se beneficiaram de eventos corporativos relevantes, como a disputa por sua aquisição entre Netflix e Paramount.
Confira as ações do S&P 500 que mais valorizaram em 2025 (considerando o fechamento de 26/12):
- Sandisk Corporation (SNDK): +594%
- Western Digital (WDC): +302%
- Micron Technology (MU): +238%
- Seagate Technology (STX): +231%
- Robinhood Markets (HOOD): +217%
- Newmont (NEM): +184%
- Warner Bros. Discovery (WBD): +172%
- Palantir Technologies (PLTR): +149%
- Lam Research (LRCX): +146%
- Comfort Systems USA (FIX): +127%
No caso da Sandisk, campeã do ranking, o desempenho foi impulsionado pelo spin-off da Western Digital e pela forte exposição à demanda por armazenamento de dados voltado à inteligência artificial.
As 10 ações que mais caíram em 2025
Se as altas ficaram concentradas, as quedas foram bem mais dispersas, atingindo setores variados como tecnologia fora do núcleo de IA, saúde, varejo, serviços financeiros e mercado imobiliário.
Em muitos casos, o que pesou foi a revisão de expectativas. Empresas que não conseguiram entregar crescimento consistente, lucro ou geração de caixa passaram a ser mais penalizadas em um ambiente de custo de capital elevado.
Veja as maiores quedas do S&P 500 em 2025:
- The Trade Desk (TTD): -67%
- Fiserv (FISV): -57%
- Alexandria Real Estate Equities (ARE): -50%
- Deckers Brands (DECK): -49%
- Gartner (IT): -47%
- Lululemon Athletica (LULU): -45%
- Molina Healthcare (MOH): -43%
- Dow Inc. (DOW): -41%
- LyondellBasell (LYB): -41%
- Charter Communications (CHTR): -39%
A Morningstar aponta que, com juros elevados por mais tempo, os investidores passaram a exigir lucros concretos, e não apenas projeções otimistas de crescimento futuro.
O que explica tamanha diferença entre vencedores e perdedores
Os dados deixam claro que 2025 não foi um ano de alta generalizada. Segundo a Charles Schwab, o mercado americano entrou em uma fase de maior dispersão, na qual poucos papéis concentram a maior parte dos ganhos, enquanto muitos outros ficam para trás.
A Franklin Templeton destaca que juros elevados aumentam o custo do dinheiro e tornam o mercado mais rigoroso na avaliação das empresas. Na prática, isso favorece negócios com crescimento visível e penaliza companhias dependentes de expectativas distantes.
Para 2026, André Rosenblit, gestor de ações globais da Nest Asset Management, avalia que o setor de tecnologia ainda pode repetir bons desempenhos, mas com uma ressalva importante:
“Apenas empresas com fluxo de caixa real irão se beneficiar. Muitas companhias que subiram no ‘oba-oba’ do varejo, sem receitas e sem geração de caixa, tendem a desaparecer.”
Visão Bolso do Investidor
O desempenho das ações americanas em 2025 reforça uma lição essencial para o investidor: índices em alta não significam ganhos distribuídos de forma homogênea. A concentração de retornos exige mais critério, análise de fundamentos e compreensão dos ciclos econômicos.
A inteligência artificial segue como uma tendência estrutural de longo prazo, mas nem todas as empresas expostas ao tema sairão vencedoras. Em ambientes de juros elevados, o mercado separa com mais clareza quem gera caixa de quem vive de narrativa.
Para 2026, o desafio será equilibrar a exposição a setores vencedores com diversificação, evitando a armadilha de perseguir altas passadas sem fundamentos sólidos. O cenário favorece estratégias mais seletivas, com foco em qualidade, fluxo de caixa e resiliência financeira.
Fontes:
- Infomoney
