Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 16 de janeiro de 2026

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, cuja assinatura está prevista para este sábado (17), pode enfrentar obstáculos relevantes já nas próximas semanas, apesar de ter sido destravado após mais de 20 anos de negociações.
Nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Rio de Janeiro a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em um encontro que antecede a formalização do pacto. Lula busca capitalizar politicamente o acordo, uma vez que o Brasil teve papel central na retomada das negociações durante sua presidência rotativa do Mercosul em 2025.
Apesar da assinatura, a entrada em vigor do acordo está longe de ser garantida. Um grupo de 145 parlamentares europeus defende que o Tribunal de Justiça da União Europeia seja consultado para emitir um parecer jurídico sobre o texto antes da ratificação pelo Parlamento Europeu. A proposta será votada no dia 21 de janeiro.
Caso o pedido avance, o processo pode atrasar a implementação do acordo em até dois anos. Os parlamentares críticos apontam preocupação com o chamado “mecanismo de reequilíbrio”, que permitiria revisões no acordo caso políticas da UE, especialmente ambientais ou de saúde pública, afetem os benefícios econômicos do Mercosul. Para eles, isso poderia limitar a autonomia regulatória do bloco europeu.
O histórico pesa contra a agilidade. Em 2015, a UE adotou procedimento semelhante no acordo com Cingapura, que levou quase dois anos para receber parecer do tribunal e só entrou em vigor em 2019.
O pacto UE–Mercosul é composto por dois instrumentos: o Acordo de Parceria (que envolve diálogo político e cooperação) e o Acordo Comercial Temporário. Ambos precisam do aval do Parlamento Europeu, e o acordo de parceria ainda exige ratificação de todos os países-membros da UE. Do lado sul-americano, o texto também terá de passar pelos Congressos nacionais de cada país do Mercosul.
Visão Bolso do Investidor
Para o investidor, a assinatura do acordo é um marco político importante, mas não elimina o risco de frustração no curto prazo. A possibilidade de questionamento jurídico na Europa aumenta a incerteza sobre prazos e reduz a visibilidade de benefícios imediatos para exportadores, especialmente do agronegócio e da indústria brasileira. No cenário-base, o acordo segue positivo no longo prazo, mas o mercado deve precificar atrasos e volatilidade até que o processo de ratificação esteja claramente encaminhado.
Fontes: InfoMoney
