Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 28 de janeiro de 2026

A demanda por aluguel de ações na B3 segue elevada em alguns papéis, refletindo o interesse de investidores em montar posições vendidas, prática conhecida como short selling. Em relatório recente, a XP analisou os principais dados de vendas a descoberto das ações negociadas na bolsa brasileira e elencou os ativos com maior procura para esse tipo de operação.
A estratégia de short selling consiste em tomar uma ação emprestada, vendê-la no mercado e, posteriormente, recomprá-la a um preço inferior, com o objetivo de devolvê-la ao credor e capturar a diferença como lucro. Para avaliar o comportamento do mercado, a XP utilizou três parâmetros principais: short interest, days to cover (DTC) e taxa de aluguel.
O short interest representa a razão entre o total de ações alugadas que ainda não foram recompradas para encerramento das posições e a quantidade de ações disponíveis para negociação. De forma geral, um nível acima de 10% é considerado elevado. Já o days to cover indica o número estimado de dias necessários para que os vendedores a descoberto consigam recomprar as ações alugadas, levando em conta a liquidez do papel. Assim como o short interest, um DTC acima de 10 costuma ser interpretado como alto.
Segundo os analistas da XP, esses indicadores também funcionam como um termômetro do humor dos investidores em relação a determinadas empresas. Em linhas gerais, métricas elevadas de short selling tendem a sinalizar uma visão mais negativa, indicando que investidores institucionais esperam queda dos preços ou estão ampliando suas apostas contra esses ativos.
Outro elemento relevante é a taxa de aluguel, que corresponde ao custo pago pelo tomador da ação ao final da operação. Quanto maior essa taxa, maior costuma ser a demanda por posições vendidas, refletindo expectativas de desvalorização do papel no mercado.
Ações com maior demanda de aluguel
O setor de varejo apresentou as maiores variações nas taxas de aluguel, com destaque para as ações do Pão de Açúcar e do Magazine Luiza, ambas com taxas em torno de 19%. As variações foram de aproximadamente 14 pontos percentuais no caso do Pão de Açúcar e 10,4 pontos percentuais para o Magazine Luiza. Braskem e PetroReconcavo também se destacaram, com variações de 5,7 e 3,7 pontos percentuais, respectivamente.
Entre as companhias com as maiores taxas de aluguel, três registraram percentuais acima de 26%. A CPFL Energia liderou, com taxa de 28,1% no setor de utilities e energia. Na sequência aparecem a Raízen, do setor de agronegócio, com 26,7%, e a Cruzeiro do Sul, do setor educacional, com 26,6%.
O relatório da XP também mostrou que o short interest mediano do Ibovespa recuou para 6,9%, enquanto o volume financeiro das posições em aberto aumentou para R$ 139,8 bilhões em relação ao levantamento anterior. Na análise setorial, o agronegócio apresentou o maior nível de short interest, com 17,6%, enquanto o setor de saúde e cuidados registrou o menor índice, em torno de 2,8%.
Entre as empresas com os maiores níveis de short interest individual, o Grupo Casas Bahia liderou, com 42,5%. Também figuraram entre os destaques duas companhias do agronegócio: Raízen, com 32%, e Boa Safra, com 28,6%.
Visão Bolso do Investidor
Os dados de venda a descoberto ajudam a mapear expectativas e percepções de risco no mercado acionário. Para investidores, acompanhar métricas como short interest, taxa de aluguel e days to cover pode oferecer sinais sobre o posicionamento de grandes participantes e possíveis pressões sobre os preços das ações. Embora não indiquem, por si só, movimentos futuros, esses indicadores contribuem para uma leitura mais ampla do sentimento do mercado e das dinâmicas setoriais na bolsa brasileira.
Fontes:
- InfoMoney
- Reuters
