Ambev e a expectativa por dividendos extraordinários: mercado avalia chances após mudança tributária

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 9 de dezembro de 2025

A Ambev (ABEV3) apresentou desempenho superior ao do Ibovespa desde outubro, impulsionada pelas expectativas de que a companhia possa anunciar dividendos extraordinários ainda em 2025. O movimento ocorre em meio à corrida de diversas empresas para distribuir proventos antes da vigência das novas regras da reforma tributária, que passam a cobrar alíquota de dez por cento sobre pagamentos mensais acima de cinquenta mil reais a partir de 2026. A legislação, porém, preserva isenção para lucros apurados até dezembro deste ano, mesmo que distribuídos até 2028.

Nesse contexto, o JPMorgan afirma não ter clareza sobre a possibilidade de anúncio de dividendos por parte da Ambev, embora reconheça que as chances aumentaram após a aprovação da nova lei. Segundo o banco, historicamente a empresa debate esse assunto em reuniões de diretoria realizadas entre os dias dez e doze de dezembro, o que mantém o mercado atento aos próximos passos.

O que dizem investidores e analistas

Durante a conferência Brazil Opportunities, realizada em São Paulo, analistas do JPMorgan conversaram com diversos investidores locais e observaram que grande parte deles já precifica algum nível de pagamento extraordinário de dividendos. Apesar disso, a própria análise do banco ressalta que um anúncio de grande porte é improvável neste momento devido ao custo elevado da dívida.

O entendimento reforçado pela instituição é o de que alavancar o balanço patrimonial para distribuir dividendos não teria impacto significativo no EVA, o Valor Econômico Adicionado. Segundo o JPMorgan, a Ambev adota uma abordagem centrada nesse indicador para avaliar mudanças em sua estrutura de capital. Assim, em um ambiente de juros altos, com custo de dívida superior a quinze por cento, o efeito sobre o WACC, o Custo Médio Ponderado de Capital, seria limitado.

Impacto estimado de uma eventual distribuição

De acordo com cálculos apresentados pelo banco, alavancar o balanço da empresa para pagar cerca de quarenta bilhões de reais em dividendos elevaria o nível de endividamento de negativo 0,8 vez para 0,55 vez, aumentando o spread do retorno sobre capital investido em apenas trinta pontos-base, para 12,8%. Em um cenário hipotético de Selic a nove por cento, o spread teria melhora mais expressiva, subindo cerca de cento e setenta pontos-base. Ainda assim, o JPMorgan entende que o benefício financeiro seria limitado diante do atual cenário.

A análise também observa que determinados investidores, como fundos de pensão estrangeiros, não estão sujeitos à tributação sobre dividendos, o que pode tornar a estratégia de alavancar o balanço menos atrativa do ponto de vista da base acionária da companhia.

Expectativas já precificadas nas ações

A percepção de que um dividendo extraordinário pode já estar parcialmente embutido no preço da ação também aparece na avaliação dos analistas. Durante o evento, investidores mencionaram expectativas que variam entre cinco e dez bilhões de reais em pagamentos extras. Para muitos deles, essa perspectiva teria contribuído para o desempenho positivo da ação no início de dezembro.

Visão Bolso do Investidor

O debate sobre dividendos extraordinários da Ambev ilustra como mudanças tributárias podem influenciar decisões corporativas e gerar movimentos antecipados no mercado. Para o investidor, é importante compreender que, embora expectativas de proventos possam impulsionar o preço no curto prazo, a sustentabilidade financeira da empresa e seu custo de capital seguem determinantes essenciais para decisões de distribuição. Em períodos de juros elevados, estratégias de alavancagem tendem a ser avaliadas com mais cautela pelas companhias. Assim, manter foco nos fundamentos e na capacidade de geração de caixa de longo prazo torna-se crucial para análises consistentes.

Fontes: InfoMoney