Publicado por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 03/10/2025

Queda histórica em um único pregão
A sexta-feira marcou mais um capítulo dramático para a Ambipar (AMBP3). As ações da companhia despencaram cerca de 54% em apenas um pregão, atingindo novas mínimas históricas e acumulando uma queda próxima de 90% no último mês. A derrocada reflete uma crise de confiança cada vez mais profunda, que levou investidores a venderem em massa suas posições diante de incertezas crescentes sobre a saúde financeira da empresa.
Tutela cautelar acende alerta
O estopim para a deterioração foi o pedido de tutela cautelar concedido pela Justiça do Rio de Janeiro, que suspendeu por 30 dias a cobrança de credores. A medida, embora não configure uma recuperação judicial, acendeu alertas de que a Ambipar já se encontra em situação delicada e pode estar preparando o terreno para uma reestruturação de dívida. Para o mercado, isso sinaliza risco elevado de calote, principalmente em contratos que preveem vencimento antecipado em caso de descumprimento.
Caixa sob suspeita e dívidas em foco
Somam-se a esse quadro as dúvidas sobre o caixa. A empresa afirma possuir R$ 4,7 bilhões em liquidez, sendo R$ 2 bilhões em recursos imediatos, mas parte relevante desse valor está vinculada a fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), que levantaram questionamentos quanto à real disponibilidade dos recursos. Esse fator, aliado a mudanças recentes na diretoria financeira e ao anúncio de emissão de até R$ 3 bilhões em debêntures para resgatar dívidas, reforça a percepção de instabilidade.
Rebaixamento de ratings agrava desconfiança
A situação piorou com a reação das agências de rating, que rebaixaram a nota de crédito da companhia para patamares que indicam risco de inadimplência iminente. Esse tipo de classificação costuma afastar ainda mais investidores institucionais, ampliando a pressão vendedora sobre as ações. Em pouco tempo, a Ambipar viu o valor de mercado derreter e se tornou um dos principais símbolos de como a confiança do mercado pode se esvair rapidamente.
Conclusão: prudência é a palavra de ordem
Para os acionistas, o cenário é de forte perda patrimonial, e para quem acompanha de fora, o caso serve como alerta da importância de avaliar não apenas o crescimento e as perspectivas de faturamento, mas também a governança, a qualidade da dívida e a transparência de informações financeiras. Até que a empresa consiga dar respostas mais sólidas sobre seu caixa e o andamento da reestruturação, a leitura do mercado é clara: trata-se de um ativo de risco elevado, em que a prudência deve prevalecer.
Fonte: InfoMoney
