Apenas 35% das empresas já avançaram na adaptação à reforma tributária — maioria ainda no planejamento

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 14/10/2025


A lentidão que pode custar caro às empresas brasileiras
A menos de três meses do início da fase de testes da reforma tributária, apenas 35% das companhias relatam ter avançado significativamente no processo de adaptação ao novo modelo de impostos. A maior parte — cerca de 63% — ainda se encontra em fase de planejamento ou em estágios iniciais de preparação, enquanto uma parcela menor sequer iniciou as ações necessárias. O dado é resultado de levantamento da Thomson Reuters com especialistas tributários corporativos.

O estudo aponta que 69% dos respondentes esperam impactos expressivos nos próximos cinco anos, o que torna urgente a transformação de alertas em ações concretas. Segundo Edinilson Apolinário, líder da área de reforma tributária da Thomson Reuters, muitas empresas começaram a antecipar esforços desde 2024, investindo em tecnologia e capacitação de equipes — mas ainda há distância entre planejamento e execução prática.


Tecnologia e parceiros especializados como diferencial competitivo
De acordo com a pesquisa, cerca de 66% das empresas apontam como desafio maior a adaptação de documentos fiscais eletrônicos ao novo sistema tributário (IBS, CBS e IS). Isso porque a adequação não envolve apenas a área fiscal: sistemas de gestão (ERP), logística, compras e CRM também terão de ser adaptados para operar em sinergia com o novo modelo.

Para mitigar esse desafio, 27,9% das empresas já contrataram consultorias especializadas para avaliar o impacto nos preços e contratos. A estratégia externa de apoio é vista como um diferencial competitivo no ambiente de transição.


A corrida contra o tempo e marcos decisivos à frente
A pesquisa indica que 2026 marcará o primeiro grande teste da reforma: neste ano, empresas deverão emitir documentos fiscais e cumprir obrigações acessórias sob o novo modelo, ainda que com alíquota simbólica de 1%. A partir de 2027, o modelo deverá entrar em operação plena — momento em que as empresas que não estiverem prontas serão forçadas a correr contra o relógio.

A mudança para um sistema completamente digital exigirá integração entre áreas que antes operavam de forma isolada. O volume de dados será muito maior, e a automação será essencial para evitar erros ou penalidades. Empresas que não investirem em eficiência e tecnologia estarão em risco estrutural.


Fim de incentivos e redefinição distributiva
Outro ponto crítico da transição é o gradual desaparecimento de incentivos fiscais, como os de ICMS regionais. Esses benefícios, outrora diferencial competitivo, devem ser reduzidos até 2029 e eliminados até 2032.

Com isso, a nova lógica de competição empresarial passará a valorizar eficiência operacional, uso estratégico de tecnologia, compliance e adaptação organizacional — não mais a mera localização geográfica ou incentivos setoriais.

A reforma substituirá o ISS/ICMS por IBS e o PIS/COFINS por CBS, além de alterar regimes de créditos tributários e incentivos regionais. Esses três fatores — novos tributos, regime de crédito e extinção de benefícios — concentram mais de 80% dos impactos esperados pelas empresas entrevistadas.


Conclusão
A adaptação à reforma tributária mostra-se lenta e desigual: a maioria das empresas ainda está na fase de planejamento, enquanto poucas iniciaram as mudanças. No entanto, o tempo já está contra aquelas que esperam para agir.

Para o investidor, essa transição oferece uma faixa de análise: empresas mais preparadas tecnologicamente, com forte governança e capacidade de adaptação tendem a sair fortalecidas. Já aquelas atrasadas podem sofrer penalidades, erros operacionais e perda de competitividade num novo ambiente tributário mais exigente.

Fontes: InfoMoney –