Após a aprovação na Câmara, Senado articula urgência na votação do projeto do IR

Publicado por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 03/10/2025

Senado prepara rito acelerado

Após a aprovação do projeto de reforma do Imposto de Renda na Câmara dos Deputados, o Senado se mobiliza para acelerar a tramitação da proposta. A estratégia discutida pelos líderes é votar o texto diretamente no plenário, sem passar pelas comissões, em um rito apelidado de “vapt vupt”.

O objetivo é evitar atrasos, impedir disputas internas e garantir que as mudanças cheguem à sanção presidencial ainda em 2025. Para isso, parlamentares devem apresentar um requerimento de urgência que permitirá incluir a votação na ordem do dia imediatamente.


Renan Calheiros cotado para a relatoria

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) desponta como favorito para assumir a relatoria do projeto no Senado. Renan tem histórico de trânsito político com o governo federal e é visto como um nome capaz de articular uma aprovação rápida.

Apesar de ainda não haver confirmação oficial, sua escolha teria apoio do Planalto e da maioria dos líderes, embora seja um movimento delicado, já que Renan é adversário político de Arthur Lira em Alagoas — justamente o relator do projeto na Câmara.


Por que a pressa?

A urgência é explicada por dois fatores principais:

  1. Evitar mudanças no texto — Qualquer alteração feita no Senado obrigaria a devolução da proposta à Câmara, prolongando a tramitação.
  2. Aproveitar o clima político — O projeto foi aprovado na Câmara com amplo apoio, e há expectativa de manter esse ambiente favorável no Senado antes de maior pressão da oposição.

Riscos da estratégia

Embora a manobra de urgência acelere a aprovação, ela também traz riscos:

  • Críticas da oposição pela ausência de debate técnico em comissões.
  • Possíveis contestações jurídicas sobre o rito abreviado.
  • Tensões políticas envolvendo a rivalidade entre Renan Calheiros e Arthur Lira, que podem reverberar na tramitação.

Próximos passos

Se o texto for aprovado no Senado sem modificações, seguirá direto para sanção presidencial. Isso permitiria que as novas regras, como a ampliação da faixa de isenção para até R$ 5 mil e a criação de um imposto mínimo para altas rendas, entrem em vigor já em 2026.

Caso o Senado promova alterações, o projeto terá de retornar à Câmara, reabrindo a disputa política e atrasando sua implementação.


Fonte: InfoMoney