Aprovado crédito de R$ 20 bilhões aos Correios em operação garantida pelo Tesouro

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 29 de novembro de 2025

Os Correios aprovaram neste sábado (29) um empréstimo de R$ 20 bilhões para reforçar o caixa e financiar a reestruturação da estatal em meio ao pior cenário financeiro da empresa em mais de uma década. O movimento ocorre enquanto a estatal acumula perdas bilionárias, eleva o risco fiscal monitorado pela equipe econômica e pressiona cada vez mais o Tesouro Nacional.

Segundo informações de bastidores, a proposta vencedora foi apresentada por um consórcio formado por Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra. A União atuará como garantidora e, em caso de inadimplência, o Tesouro assume integralmente os pagamentos. A taxa costurada ficou pouco abaixo dos 136% do CDI apresentados anteriormente, mas ainda é considerada elevada para uma operação com garantia soberana. A melhora nas condições ocorreu após os bancos retirarem exigências adicionais como lucro mínimo e cessão de recebíveis futuros.

O Safra entrou apenas na rodada final. A Caixa, que participou das negociações iniciais, acabou ficando fora da operação. Nenhum dos bancos envolvidos comentou publicamente o acordo.

Os Correios já possuem um empréstimo de R$ 1,8 bilhão firmado no primeiro semestre com BTG, Citibank e ABC Brasil, que deve ser quitado com parte dos recursos do novo financiamento. O Banco do Brasil acompanha o processo desde o início.

O empréstimo chega em um momento de forte deterioração das contas. De janeiro a setembro, a estatal acumulou prejuízo de R$ 6,1 bilhões, quase três vezes o registrado no mesmo período do ano anterior. A receita caiu 12,7%, para R$ 12,35 bilhões, enquanto as despesas gerais e administrativas dispararam 53,5%, impulsionadas pelo avanço de ações trabalhistas desfavoráveis. A empresa já soma 12 trimestres consecutivos no vermelho.

O impacto fiscal preocupa o governo. A equipe econômica revisou para cima a projeção de déficit dos Correios, que deve atingir R$ 5,8 bilhões em 2025, pressionando o resultado das estatais federais e ampliando o risco de contingenciamento no próximo ano. Nesta semana, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, classificou a situação da empresa como “muito ruim” e afirmou que o desempenho “causa impacto negativo” no fechamento fiscal do 5º bimestre. Durigan cobra do presidente da estatal, Emmanoel Schmidt Rondon, um plano de reestruturação mais robusto, considerado peça central para garantir sustentabilidade à operação.

Apesar do agravamento das perdas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descartou qualquer discussão interna sobre privatização. O governo condiciona eventual apoio financeiro à adoção de medidas de gestão e contenção de despesas. A conclusão do empréstimo de R$ 20 bilhões é vista como uma tentativa de garantir fôlego imediato, mas não resolve, isoladamente, as dificuldades estruturais da companhia, que enfrenta queda de receitas, aumento expressivo de despesas e perda de competitividade no setor de logística.

Visão Bolso do Investidor

O caso dos Correios reforça a importância de avaliar risco soberano, eficiência operacional e sustentabilidade fiscal ao analisar empresas estatais. Para o investidor, a deterioração contínua das contas da empresa e o impacto direto no orçamento público aumentam a volatilidade percebida no mercado de títulos, especialmente em momentos de incerteza econômica. Em cenários como esse, estratégias prudentes ganham força: diversificação, avaliação criteriosa do emissor e preferência por ativos com melhor relação risco-retorno se tornam ainda mais essenciais para preservar patrimônio.

Fontes: Infomoney