Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 27 de novembro de 2025

Até setembro deste ano, 13 empresas listadas na B3 já distribuíram mais de R$ 3 bilhões a seus acionistas, somando dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP). O levantamento é da consultoria Elos Ayta e aponta forte concentração nos setores de bancos e commodities, que lideram a remuneração.
Os maiores valores foram pagos por:
- Petrobras (PETR4): R$ 37,3 bilhões
- Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 28,2 bilhões
- Vale (VALE3): R$ 19,456 bilhões
- Ambev (ABEV3): R$ 10,8 bilhões
No total, as 13 companhias distribuiram R$ 158,8 bilhões até setembro, alta de 3,8% frente aos R$ 153 bilhões do mesmo período de 2024.
Desempenho por empresa (valores em R$ milhões)
| Empresa | Setor | 1º Tri | 2º Tri | 3º Tri | No ano | Em 2024 |
| Petrobras (PETR4) | Petróleo | 16.737 | 9.598 | 11.024 | 37.359 | 67.740 |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | Bancos | 20.589 | 715 | 6.919 | 28.223 | 21.437 |
| Vale (VALE3) | Mineração | 11.365 | 0 | 8.091 | 19.456 | 20.662 |
| Ambev (ABEV3) | Bebidas | 6.611 | 2.081 | 2.082 | 10.774 | 188 |
| Itaúsa (ITSA4) | Holdings | 6.599 | 925 | 2.608 | 10.132 | 7.825 |
| Bradesco (BBDC4) | Bancos | 3.996 | 2.079 | 3.089 | 9.164 | 5.872 |
| Banco do Brasil (BBAS3) | Bancos | 5.014 | 2.435 | 1.226 | 8.675 | 12.737 |
| BB Seguridade (BBSE3) | Seguradoras | 4.504 | 0 | 3.770 | 8.274 | 5.193 |
| Axia Energia (AXIA3) | Energia | 2.192 | 1.805 | 3.985 | 7.982 | 1.176 |
| Santander Brasil (SANB3) | Bancos | 1.582 | 2.295 | 3.888 | 7.765 | 4.267 |
| BTG Pactual (BPAC3) | Bancos | 1.720 | 0 | 2.300 | 4.020 | 2.955 |
| Marfrig (MRFG3) | Carnes | 0 | 0 | 3.846 | 3.846 | 0 |
| Weg (WEGE3) | Motores | 1.809 | 2 | 1.355 | 3.166 | 2.937 |
Somadas, essas empresas somam R$ 158,836 bilhões pagos em 2025 até setembro.
Forte concentração dos pagamentos
O estudo mostra que os valores distribuídos pelas 13 maiores pagadoras representam 71,5% dos R$ 222,3 bilhões distribuídos por 308 empresas da B3 até setembro deste ano. Em 2024, essa concentração era ainda maior (73,2% de R$ 209,1 bilhões).
Das 13 líderes:
- Cinco são bancos;
- Duas pertencem ao setor financeiro de forma indireta (Itaúsa e BB Seguridade);
- Três são ligadas a commodities (Petrobras, Vale e Marfrig);
- Apenas duas são industriais (Ambev e Weg).
Um padrão recorrente
Segundo Einar Rivero, da Elos Ayta, o perfil das maiores pagadoras repete um padrão típico do mercado brasileiro. “A fotografia de 2025 revela o protagonismo de setores tradicionais, com caixa robusto, previsibilidade operacional e capacidade de atravessar ciclos de juros altos ou economia mais fria sem comprometer a política de distribuição”, afirma.
Empresas que pagaram mais de R$ 1 bilhão por trimestre
O levantamento também mostra que seis empresas desembolsaram mais de R$ 1 bilhão por trimestre em 2025:
- Petrobras
- Ambev
- Bradesco
- Banco do Brasil
- Axia Energia
- Santander Brasil
Esse grupo reúne tanto companhias de setores perenes, como bancos e bebidas, quanto empresas beneficiadas por tendências estruturais, como energia elétrica.
Dividendos totais da bolsa crescem em 2025
Entre as 308 empresas analisadas, o volume total distribuído chegou a R$ 222,2 bilhões, alta de 6,3% em relação aos R$ 209 bilhões pagos no mesmo período do ano anterior.
Só no terceiro trimestre, a distribuição alcançou R$ 71,5 bilhões, avanço de 22,4% sobre 2024. Excluindo Petrobras, o montante fica em R$ 60,5 bilhões, ainda assim uma alta expressiva de 32,4% na comparação anual.
Visão Bolso do Investidor
Os dados reforçam a força dos setores tradicionais na geração de caixa e no pagamento de dividendos, especialmente bancos, seguradoras e empresas de commodities. Para investidores que buscam renda recorrente, acompanhar a consistência dos pagamentos, trimestre a trimestre, é uma estratégia relevante. Ao mesmo tempo, a elevada concentração dos dividendos em poucas empresas mostra que o mercado brasileiro ainda depende fortemente de segmentos específicos. Diversificar a carteira e avaliar a sustentabilidade dos pagamentos de cada companhia são passos essenciais para quem investe visando fluxo de caixa no longo prazo.
Fontes:
- Infomoney
