Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 20/10/2025

A recente valorização do ouro chama atenção para algo mais profundo do que simples especulação: segundo a análise da Goldman Sachs, a forte alta e a escalada da procura pelo ativo estão firmemente sustentadas por fundamentos estruturais. O banco projeta que o metal pode alcançar níveis vistos na década de 1970, quando a corrida ao ouro por motivos macroeconômicos registrou um dos seus maiores picos.
Alta expressiva e fundamentos por trás do rali
Em 2025, o preço do ouro registrou uma valorização de cerca de 65%. A escalada foi impulsionada por múltiplos fatores: tensão comercial entre os Estados Unidos e a China, expectativa de cortes de taxas de juros pelo Federal Reserve e o movimento contínuo de aquisições por bancos centrais. A analista de commodities da Goldman Sachs, Lina Thomas, declarou que “o rally continua baseado em fundamentos, não em frenesi”.
Na sexta-feira (17 de outubro de 2025), o ouro atingiu nova máxima próxima a US$ 4.242 por onça. A Goldman elevou sua projeção para o metal em cerca de US$ 4.900 até o final de 2026. A gestora calcula ainda que o mercado de ouro, sendo relativamente menor em capitalização do que as bolsas ou o mercado de títulos do Tesouro dos EUA, tem o potencial de subir mais rapidamente sob ambiente adverso.
Paralelo com os anos 70 e implicações históricas
A Goldman Sachs traça uma analogia entre o momento atual e a década de 1970, quando os preços do ouro saltaram de US$ 35 para US$ 850 entre 1970 e 1980, um aumento de mais de 2.300%. Embora as circunstâncias sejam diferentes, hoje não há padrão-ouro, o banco aponta que o conjunto: inflação elevada, desaceleração econômica dos EUA, tensão geopolítica e compras de ouro pelos bancos centrais formam uma combinação similar ao que impulsionou a ascensão daquele período.
A previsibilidade desses elementos, conforme Thomas, sugere que a demanda por ouro não se esgotou e que o atual ciclo pode estar apenas no início.
O que motiva a demanda estrutural e o que monitorar
A interpretação da Goldman Sachs destaca três vetores principais:
- Os bancos centrais continuam a inevitavelmente diversificar reservas em um contexto de dólar pressionado, o que gera demanda institucional de grande escala.
- A expectativa de cortes nas taxas de juros reais nos EUA diminui o custo de oportunidade de manter ouro, que não paga juros, mas se valoriza quando os rendimentos estão comprimidos.
- A percepção de risco macroeconômico, seja inflação, déficit fiscal ou conflito internacional, favorece o ouro como hedge de longo prazo, não apenas como ativo de proteção de curto prazo.
Para investidores, isso significa que não basta observar o preço atual: é preciso monitorar os fluxos de investimento institucional, a evolução dos rendimentos reais e a participação dos bancos centrais nas compras do metal.
Visão do Bolso do Investidor
A mensagem da Goldman Sachs oferece um apoio importante para o investidor interessado em ouro: diferentemente de um movimento puramente especulativo, as bases da alta são macroeconômicas, o que amplia o horizonte de validade do rali. Para quem possui ou pretende incluir ouro em carteira, isso reforça o papel do metal como reserva de valor e alternativa contra risco sistêmico. Ao mesmo tempo, não significa que o ativo seja isento de risco: os retornos já avançaram muito, e fatores como subida de juros, reviravoltas políticas ou dissipação do medo global podem gerar correções abruptas. A chave será a diversificação e o alinhamento percentual adequado de ouro dentro de uma carteira que visa proteção e não apenas ganhos explosivos.
Conclusão
Com a demanda por ouro vista pela Goldman Sachs como sustentada por fundamentos e com projeção de atingir níveis recordes, o metal se consolida como uma protagonista do atual ciclo de investimentos. Investidores e gestores devem acompanhar de perto: os próximos movimentos do Federal Reserve, as decisões de compra de bancos centrais e a evolução da inflação global podem ditar o rumo da cotação. A questão não é mais se o ouro pode subir, mas até onde pode ir, e qual será o impacto dessa trajetória para portfólios globais.
Fontes:
