Banco do Brasil (BBAS3) avança quase 18% em 2026, mas mercado mantém cautela após balanço

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19 de fevereiro de 2026

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) acumulam valorização de 17,79% em 2026, mas o cenário ainda é de cautela entre analistas após a divulgação do balanço do quarto trimestre.

Levantamento da LSEG aponta predominância de recomendações neutras para o papel: são sete indicações de manutenção, duas de compra e uma de venda. A postura mais conservadora reflete dúvidas sobre a sustentabilidade dos resultados e a evolução da qualidade dos ativos.

O banco reportou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões no quarto trimestre, superando as projeções do mercado. Após o balanço, as ações reagiram com alta de 4,50%. Ainda assim, o retorno sobre o patrimônio (ROE) ficou em 12,4%, abaixo dos 20,8% registrados um ano antes.

Pontos de atenção para analistas

Relatórios de JPMorgan, Goldman Sachs e Bradesco BBI destacam incertezas relacionadas ao ritmo de crescimento da carteira de crédito, à pressão sobre margens, ao volume elevado de operações prorrogadas e renegociadas e aos riscos no agronegócio.

Investidores estrangeiros tendem a enxergar a ação como descontada e com desafios predominantemente cíclicos. Já o investidor local demonstra maior sensibilidade ao nível de provisões e à capacidade do banco de sustentar rentabilidade em um ambiente de crescimento mais moderado.

Esse conjunto de fatores contribui para a volatilidade recente e para uma postura mais seletiva em relação ao ativo.

Análise técnica – curto prazo

Do ponto de vista gráfico, o papel mantém estrutura altista. O fechamento da última sessão ocorreu a R$ 25,82, com alta de 1,53%, negociando acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, que atuam como suporte.

O Índice de Força Relativa (IFR 14) está em 65,87, próximo da zona de sobrecompra, mas ainda sem sinal de reversão.

Para continuidade da tendência de alta, o ativo precisa superar as resistências em R$ 26,09 e R$ 26,89. Caso haja rompimento consistente, com aumento de volume, os próximos alvos projetados são R$ 27,66 e R$ 28,49, além da máxima histórica em R$ 29,44. Projeções mais longas indicam níveis em R$ 29,90 e R$ 31,15.

No cenário de correção, a perda da região das médias móveis pode levar o papel aos suportes em R$ 25,20 e R$ 24,30. Se esse movimento se intensificar, os próximos níveis de suporte estão em R$ 23,48 e na média de 200 períodos, em R$ 22,08, com referências adicionais em R$ 21,05 e R$ 19,93.

Análise técnica – médio prazo

No gráfico semanal, a tendência segue positiva. A valorização acumulada de 17,79% em 2026 preserva a formação de topos e fundos ascendentes, com o ativo negociando acima das médias de 9 e 21 períodos, ambas inclinadas para cima.

Apesar disso, o afastamento das médias indica movimento mais esticado, aumentando a probabilidade de correções pontuais dentro da tendência principal. O IFR semanal está em 64,68, próximo da sobrecompra.

Para continuidade do ciclo de alta no médio prazo, é necessário o rompimento da resistência em R$ 26,89. Superada essa faixa, os próximos objetivos são R$ 28,49 e novamente a máxima histórica em R$ 29,44, com projeções adicionais em R$ 30,45, R$ 34,30, R$ 36,22 e R$ 40,00.

Por outro lado, uma inflexão mais relevante do fluxo vendedor dependeria da perda dos suportes em R$ 24,24 e R$ 23,48. Nesse caso, o papel poderia buscar níveis em R$ 21,05 e R$ 19,93, com alvos mais longos em R$ 18,04 e R$ 17,25.

Visão Bolso do Investidor

O desempenho recente do Banco do Brasil combina fundamentos sólidos no curto prazo com desafios estruturais ligados à rentabilidade e ao risco de crédito. Para investidores, o acompanhamento de provisões, qualidade da carteira e evolução do ROE tende a ser determinante para avaliar a sustentabilidade da alta. No campo técnico, enquanto o papel permanecer acima das médias móveis e preservar a estrutura de topos e fundos ascendentes, o viés segue construtivo, ainda que sujeito a correções pontuais.


Fontes:

  • InfoMoney