BB estuda IPO da unidade de consórcios para turbinar resultados em momento desafiador

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data de publicação: 25/09/2025


O Banco do Brasil está avaliando lançar um IPO (oferta pública de ações) para sua unidade de consórcios como estratégia para reforçar o desempenho financeiro, especialmente após um trimestre difícil. Essa possibilidade foi mencionada durante o Dia do Investidor, evento realizado em Nova York, onde a diretoria avalia que o negócio de consórcios, considerado “altamente lucrativo”, pode ajudar a recompor capital e melhorar os resultados.

De acordo com a gestão, a divisão de consórcios representou cerca de 2% da receita e 4% do lucro líquido do banco em 2024. Apesar de aparentemente modesto, esse peso pode ganhar relevância em um cenário de aperto nos índices de capital regulatórios, caso o BB avance com a estratégia de spin-off.

Um estudo da Genial Investimentos sugere que o IPO da unidade poderia mitigar impactos previstos para 2026 no índice de capital CET1, que sofre com o término de programas e novas exigências regulatórias. Entre as pressões esperadas estão o fim do programa de CGPE, efeitos regulatórios da Resolução 4.966, devolução de instrumentos híbridos e aumento do risco operacional, totalizando até 105 pontos-base de impacto negativo.

Ao mesmo tempo, a área de agronegócio — historicamente importante para o BB — apresenta desafios crescentes, com elevação da inadimplência. Parte desse impasse se concentra em clientes rurais, sendo que cerca de 50% do aumento da inadimplência veio de segmentos ligados à soja, milho e pecuária. Em recuperação judicial, há aproximadamente R$ 5,4 bilhões distribuídos entre 808 clientes, dos quais 90% já foram provisionados.

Para conter esse avanço, o banco adotou medidas como reformulação da matriz de risco, ajustes no processo de cobrança, intensificação de uso de inteligência artificial na concessão de crédito, além da migração de garantias para alienação fiduciária — já aplicada em 60% dos desembolsos do Plano Safra 2025/2026, ante 31% no ciclo anterior.

Quanto à política de dividendos, o BB manteve compromisso com um payout mínimo de 30%, mesmo diante de projeções de queda nos lucros. A diretoria admite distribuir dividendos extraordinários caso os resultados melhorem.

No panorama externo, analistas das principais instituições mantêm visões cautelosas. O JPMorgan reafirmou que o horizonte de curto a médio prazo segue desafiador. O Goldman Sachs e a Genial mantêm recomendações neutras com preços-alvo entre R$ 20 e R$ 22. Já o Morgan Stanley demonstrou confiança, elogio à gestão e expectativa de valorização, especialmente se o banco alcançar ROE de 15% no próximo ano.

As ações do BB são negociadas atualmente a 0,7 vez o P/VPA (Preço sobre Valor Patrimonial) e variam entre 4,5 a 5,1 vezes o P/L estimado para 2026, dependendo da instituição. A estratégia com o consórcio aparece como uma carta que pode gerar recursos novos, dividir riscos e oferecer flexibilidade de capital — caso lado de estrutura, valuation e execução acompanhem.


Fontes