Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 3 de dezembro de 2025

O Banco do Brasil desembolsou cerca de R$ 85 bilhões em financiamentos para o agronegócio na safra 2025/26, que começou em julho e segue até junho de 2026. O valor engloba crédito rural, CPRs, operações para giro de agroindústrias e renegociação de dívidas, mas representa recuo expressivo frente aos R$ 105 bilhões liberados no mesmo período da safra passada. Os dados foram apresentados pelo vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do banco, Gilson Bittencourt.
Somente nas operações de crédito rural, o BB desembolsou R$ 78,3 bilhões até novembro, abaixo dos R$ 96 bilhões registrados um ano antes. Mesmo com a retração, o banco projeta chegar ao fim da safra com desempenho mais equilibrado, já que parte das linhas pode atingir o limite de contratação ainda em dezembro, exigindo remanejamentos internos. No total, o BB deve ofertar R$ 230 bilhões ao agro no ciclo atual, um aumento de 2% em relação à safra 2024/25. Do montante, R$ 106 bilhões vão para a agricultura empresarial, R$ 54 bilhões para agricultura familiar e médios produtores, e R$ 70 bilhões para negócios da cadeia de valor.
Segundo Bittencourt, o comportamento da demanda está dentro do esperado para agricultura familiar e Pronamp, mas o mesmo não ocorre na agricultura empresarial. O executivo afirma que a combinação de juros elevados e rentabilidade próxima aos níveis históricos reduziu significativamente o apetite por novos investimentos, com queda estimada entre 35% e 40%. Para ele, este é um momento em que somente produtores com caixa saudável e pouca alavancagem devem realizar investimentos maiores, enquanto a maioria tende a reorganizar o fluxo financeiro aguardando possível queda da Selic. O custeio também apresenta demanda menor, especialmente nas linhas de taxas livres.
Sobre o andamento da safra, o banco acompanha eventuais impactos do La Niña, mas vê um cenário geral positivo. IBGE e Conab projetam estabilidade da produção, com grande parte da área já plantada e sem redução expressiva. Quanto aos preços agrícolas, o BB avalia que as cotações retornam aos níveis históricos e que áreas com custos elevados começam a se tornar menos viáveis. A expectativa é de que eventuais ajustes no pacote tecnológico não comprometam a produtividade.
Visão Bolso do Investidor
O recuo no desembolso do Banco do Brasil sinaliza um momento de cautela no agronegócio, marcado por juros elevados e margens pressionadas. Para o investidor, é importante observar como a redução na demanda por crédito e o desaquecimento dos investimentos podem refletir na rentabilidade das empresas do setor ao longo de 2026. O agro permanece relevante para a economia, mas atravessa um ciclo de reorganização, no qual eficiência operacional e gestão de custos serão decisivas.
Fontes: Infomoney
