Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data de publicação: 29/09/2025
O Bradesco BBI revisou sua avaliação para a Eletrobras (ELET6) com otimismo, elevando o preço-alvo para R$ 83,00 ao final de 2026 — contra R$ 67 estimados anteriormente — o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 56% em relação ao fechamento recente de cerca de R$ 50,69. A recomendação de compra foi mantida, com base na expectativa de que o setor elétrico passará por uma revalorização sustentada.
Segundo os analistas, essa revisão é sustentada por uma visão mais construtiva para os preços de energia no longo prazo. Eles elevaram suas estimativas de preço de energia para até R$ 210/MWh em 2030, acima dos R$ 180/MWh projetados anteriormente, o que acresceria cerca de R$ 13 por ação no valuation atual da empresa.
A tese favorece a Eletrobras pela sua exposição à geração hidrelétrica e à participação em energia não contratada, segmentos que tendem a capturar margens maiores em um cenário de oferta restrita e demanda crescente por energia.
O BBI projeta ainda que os dividendos anuais poderão ficar entre R$ 8 e 9 bilhões, equivalendo a um rendimento estimado entre 7% e 8%, caso a companhia mantenha disciplina financeira e aproveite desinvestimentos em ativos não essenciais como ISA Energia ou Eletronuclear.
Outro ponto levantado é a disputa judicial que a Eletrobras mantém com a Secretaria da Fazenda (SEFAZ) sobre RBSE (Programas de Indenização de Rede Básica), cujo desfecho favorável pode desbloquear valor relevante na ISA Energia para os acionistas. Também pesa nessa avaliação o projeto Angra 3, que pode viabilizar um desinvestimento mais lucrativo da Eletronuclear.
O BBI alerta, no entanto, para riscos de curto prazo: a possível queda do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) no 4º trimestre de 2025 pode pressionar receitas no segmento spot de energia. A previsão modelada pela equipe considera PLD em torno de R$ 245/MWh para essa janela, com eventuais recuos pontuais que podem gerar oportunidades de entrada para investidores que toleram volatilidade.
Por fim, os analistas reforçam que, mesmo com o ajuste de preço-alvo, a ação ainda negocia com desconto frente ao valor patrimonial ajustado, o que, somado ao cenário favorável para os preços de energia, torna a tese atrativa para prazos médios e longos.
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