BC diz estar sujeito a questionamentos sobre ações e omissões no caso Banco Master, afirma Galípolo

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 25 de novembro de 2025

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira, 25, que a instituição está sujeita a ser questionada tanto por suas ações quanto por suas omissões no caso envolvendo o Banco Master, liquidado extrajudicialmente na semana passada. Segundo ele, o BC já foi cobrado por órgãos de controle por ter tomado determinadas medidas e, pouco tempo depois, por supostamente não ter agido ou ter demorado a agir.

Galípolo destacou que qualquer avanço em processos como vetar operações ou liquidar instituições financeiras precisa estar juridicamente fundamentado, indo além da pressão da opinião pública. Ele reiterou que o Banco Central não tem como papel julgar a conveniência de investimentos realizados pelas instituições supervisionadas.

De acordo com o presidente do BC, no caso do Master, a fiscalização identificou pontos que levaram ao desfazimento de determinadas operações, substituídas por outros ativos. A partir disso, a autoridade monetária iniciou auditoria para avaliar esses ativos apresentados. Galípolo reforçou que eventuais motivações ligadas ao caso extrapolam a competência do BC, cabendo investigação ao Ministério Público, à Polícia Federal e ao Judiciário. Ele alertou que qualquer tentativa da autarquia de atuar fora de seu escopo – o que chamou de “voluntarismo” – poderia resultar em custos ao erário.

“Pagar 140% de CDB ou frequentar festas não é motivo de investigação”, diz Galípolo

Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo afirmou que alguns elementos que circularam publicamente sobre o Banco Master não caracterizam, por si só, infrações. Entre eles, a emissão de CDBs a 140% do CDI ou fotos de dirigentes em festas. Segundo ele, esses aspectos não configuram motivo para liquidação de uma instituição.

O que chamou atenção no processo, explicou, foi o fato de o banco enfrentar restrições de liquidez e, ainda assim, seguir vendendo ativos. Para Galípolo, é incomum que uma instituição com problemas de liquidez consiga estruturar uma carteira robusta nesse contexto. Testes realizados pela fiscalização indicaram que parte da carteira de crédito transacionada apresentava inconsistências, e não foram encontradas evidências suficientes que comprovassem a existência desses ativos e operações.

Diante dessas suspeitas, o caso deixou a esfera administrativa e regulatória para passar ao campo criminal. O presidente do BC explicou que questões como eventual fraude, responsabilidades e cadeia de negociação dos ativos envolvem o Ministério Público e ultrapassam o escopo regulatório do Banco Central. Ele afirmou que a autoridade monetária comunicou o caso às autoridades competentes desde o início.

Recursos e capacidade de fiscalização

Questionado sobre a capacidade do Banco Central de manter a fiscalização adequada do sistema financeiro, Galípolo voltou a defender o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65. A medida prevê autonomia administrativa, financeira e orçamentária para o BC. Segundo ele, a falta de recursos compromete a atuação da autarquia, e algoritmos ou ferramentas insuficientes aumentam os riscos de problemas.

O presidente reforçou que a identificação do caso Master se deu por meio da fiscalização regular e de testes aplicados, mas alertou que a carência de recursos pode dificultar a prevenção de situações semelhantes. Galípolo afirmou que o Banco Central “padece da ausência de recursos” e voltou a solicitar apoio do Senado para a aprovação da PEC.


Visão Bolso do Investidor

O caso do Banco Master evidencia a importância da supervisão contínua do sistema financeiro e das limitações enfrentadas por órgãos reguladores quando não dispõem de recursos adequados. Para investidores, episódios como esse reforçam a necessidade de atenção à solidez das instituições, à transparência de operações e à qualidade dos ativos em circulação no mercado. Também mostram como investigações podem migrar rapidamente do campo regulatório para o criminal quando surgem suspeitas de fraudes. A discussão sobre a autonomia e o fortalecimento do Banco Central tende a ganhar relevância, pois afeta diretamente a capacidade de fiscalização e a segurança do sistema financeiro como um todo.


Fontes:

  • Infomoney