Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 05 de dezembro de 2025

Brendan Foody, jovem empreendedor de 22 anos e novo integrante da lista de bilionários do Vale do Silício, tem chamado a atenção não apenas pelo sucesso da Mercor, sua startup de recrutamento com inteligência artificial, mas também pelo estilo de vida incomum para alguém da Geração Z. Sem tirar um único dia de folga nos últimos três anos, ele afirma que o segredo para não entrar em burnout está na relação que mantém com o próprio trabalho.
Foody faz parte do trio de jovens da região de São Francisco que passou de colegas no time de debate para fundadores de uma empresa avaliada em US$ 10 bilhões. A Mercor nasceu em um hackathon realizado em São Paulo, onde ele e os cofundadores Adarsh Hiremath e Surya Midha desenvolveram o modelo inicial da plataforma. A proposta chamou atenção imediata: um sistema que automatiza triagem de currículos, combina perfis com vagas e conduz entrevistas com IA.
Nove meses depois, a ideia se transformou em uma empresa com projeção anual de receita de US$ 1 milhão, um ritmo que os fundadores consideram um dos mais acelerados entre startups da nova onda da inteligência artificial. O salto para o status de “decacórnio” veio após uma rodada de investimento de US$ 350 milhões liderada pela Felicis Ventures, com participação da Benchmark, da General Catalyst e da Robinhood Ventures.
A decisão de abandonar a Universidade de Georgetown para se dedicar integralmente ao negócio fez parte da virada na vida de Foody. Ele afirma que sua rotina não inclui os luxos e eventos sociais comumente associados a jovens bilionários. Ao contrário, suas semanas são tomadas por reuniões que podem ocupar até 40 horas, e isso sem contar o tempo dedicado à elaboração de documentos internos, desenvolvimento de ideias ou ajustes no produto.
Segundo ele, jornadas longas são comuns entre startups do Vale do Silício, especialmente as influenciadas pelo chamado modelo “996”, no qual funcionários trabalham das 9h às 21h, seis dias por semana. Foody, no entanto, argumenta que o fator determinante para evitar burnout não é a carga de trabalho, mas a motivação por trás dela.
Ele afirma que trabalha todos os dias há três anos e que esse ritmo só é sustentável porque está envolvido em algo que lhe gera “progresso cumulativo”. Para Foody, burnout surge quando a pessoa se dedica intensamente a algo que não produz satisfação ou resultados palpáveis.
A mudança de perspectiva começou quando deixou a universidade. Ele conta que, até então, acreditava simplesmente que trabalho era sinônimo de tarefa repetitiva e pouco prazerosa. A partir do momento em que iniciou a Mercor, porém, o sentimento mudou: a visão de construir algo significativo se tornou uma espécie de obsessão. Muitas vezes, diz ele, ideias sobre a empresa surgem enquanto janta com a família ou tenta relaxar.
Ver o impacto direto do próprio esforço é, segundo Foody, um dos principais combustíveis de sua rotina. Ele afirma que não consegue tirar um dia de folga porque sente uma vontade constante de voltar ao trabalho. Para ele, encontrar um projeto capaz de gerar esse tipo de motivação é um elemento essencial na trajetória empreendedora.
Com 22 anos, Foody e seus cofundadores alcançaram o patamar de bilionários mais jovens do mundo a construir fortuna própria, superando até Mark Zuckerberg, que chegou ao bilhão aos 23 anos. Antes disso, o posto mais jovem era atribuído a Shayne Coplan, CEO da Polymarket, que alcançou a marca aos 27 anos.
Visão Bolso do Investidor
O caso de Brendan Foody reforça uma dinâmica cada vez mais visível no ecossistema global de startups: ciclos de trabalho intensos, impulsionados por inovação acelerada e grandes rodadas de capital, estão moldando uma nova geração de empreendedores. Para investidores, histórias como a da Mercor mostram como produtos de IA com aplicação direta no mercado de trabalho podem escalar rapidamente. Ao mesmo tempo, o ritmo de dedicação exigido por negócios de alto impacto ressalta a importância de estruturas sólidas de governança, saúde organizacional e visão estratégica para sustentar crescimento no longo prazo.
Fontes:
- InfoMoney
- Furtune
