Bilionários dos EUA acumulam US$ 698 bilhões em um ano, aponta relatório da Oxfam

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 5 de novembro de 2025

Fortunas em alta, enquanto a população enfrenta dificuldades
Enquanto a maioria dos americanos enfrenta cortes em programas sociais, custos de moradia elevados e aumento das demissões, os bilionários do país ampliaram suas fortunas em ritmo acelerado. Segundo relatório da Oxfam divulgado nesta terça-feira (5), os 10 americanos mais ricos somaram US$ 698 bilhões (R$ 3,8 trilhões) em novos ganhos no último ano.

O levantamento destaca que quase todos os integrantes desse grupo pertencem ao setor de tecnologia e inteligência artificial, que segue impulsionando a economia global. Entre eles estão Jeff Bezos (Amazon), Mark Zuckerberg (Meta), Larry Page e Sergey Brin (Google), Larry Ellison (Oracle), Jensen Huang (Nvidia), Steve Ballmer (Microsoft) e Michael Dell (Dell Technologies). O relatório também cita Elon Musk, apontando que o empresário pode se tornar o primeiro trilionário da história.

Crescimento desigual e concentração de riqueza
De acordo com o estudo, cada um dos dez bilionários ganhou, em média, US$ 69,8 bilhões em um ano — cerca de 833 mil vezes mais do que a renda anual média de uma família americana, que foi de US$ 83.730 (R$ 452 mil) em 2024, segundo o censo dos Estados Unidos.

Enquanto isso, mais de 40% da população americana — incluindo quase metade das crianças — é considerada pobre ou de baixa renda, o que evidencia o abismo entre os extremos da sociedade. Entre 1989 e 2022, as famílias pertencentes ao top 1% acumularam 101 vezes mais riqueza do que a média nacional. Atualmente, os 0,1% mais ricos detêm 12,6% de todos os ativos financeiros e 24% das ações americanas, enquanto os 50% mais pobres controlam apenas 1,1% da Bolsa.

Desigualdade racial e de gênero
O relatório também aponta disparidades estruturais. Famílias chefiadas por homens acumulam quatro vezes mais riqueza do que aquelas lideradas por mulheres. Além disso, a diferença racial é alarmante: famílias brancas possuem, em média, 7,2 vezes mais recursos do que famílias negras e 6,7 vezes mais do que famílias hispânicas ou latinas. Embora esses grupos representem um terço da população dos EUA, detêm apenas 5,8% da riqueza total do país.

Políticas fiscais favorecem os ultrarricos
A Oxfam alerta que a desigualdade tende a se agravar com as recentes políticas fiscais do governo Trump. Em julho, a administração aprovou a chamada “One Big Beautiful Bill”, uma ampla reforma tributária que reduz significativamente a carga de impostos dos mais ricos. A expectativa é que, até 2027, os 0,1% mais ricos economizem em média US$ 311 mil por ano em impostos, enquanto os americanos com renda inferior a US$ 15 mil anuais passarão a pagar mais.

O relatório afirma que as medidas do governo ampliam os cortes em programas sociais, reduzem direitos trabalhistas e comprometem a rede de proteção à classe média. Para a Oxfam, “os bilionários se tornaram reis nos Estados Unidos”, com uma fatia da riqueza maior do que a registrada durante a Era Dourada, período histórico de extrema concentração econômica no fim do século XIX.

Cenário econômico em deterioração
Apesar do aumento das fortunas no topo, o restante da população enfrenta um contexto econômico desafiador. O economista Mark Zandi, da Moody’s Corporation, afirmou à revista Fortune que as famílias de menor renda vivem em situação de vulnerabilidade crescente, pressionadas pelo alto custo de vida, escassez de empregos e aumento do endividamento. Segundo ele, “o grupo de renda média-baixa está na corda bamba financeira”, com dívidas em automóveis, educação e imóveis.

Zandi alerta que a deterioração do mercado de trabalho pode agravar a situação: 22 estados americanos já mostram retração econômica, sinalizando que uma recessão pode atingir com força justamente as famílias mais endividadas e sem reserva financeira.

Visão Bolso do Investidor
A disparidade de riqueza nos Estados Unidos evidencia um fenômeno global: a concentração de capital em setores de tecnologia e ativos financeiros. Para o investidor, o relatório reforça como o poder das big techs continua sendo um vetor dominante dos mercados, mas também serve de alerta sobre o risco social e econômico da desigualdade crescente. A longo prazo, políticas fiscais regressivas e o enfraquecimento da classe média podem afetar o consumo e, consequentemente, o desempenho corporativo — fatores que merecem atenção de quem investe em empresas americanas.

Fontes: InfoMoney; Bloomberg; Estadão; Reuters; O Globo.