Bitcoin despenca, perde força com ativos de tecnologia e atinge menor nível desde 2024

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 3 de fevereiro de 2026

O Bitcoin registrou forte queda nesta terça-feira, 3, em meio a um movimento mais amplo de liquidação de ativos ligados ao setor de tecnologia nos Estados Unidos. Com a pressão vendedora ao longo da tarde, a principal criptomoeda do mercado recuou para abaixo de US$ 74 mil, atingindo o menor patamar desde o período da eleição presidencial norte-americana de 2024, quando Donald Trump retornou ao cenário político como presidente.

A sessão foi marcada por volatilidade elevada e pela busca de investidores por ativos considerados mais defensivos. Nesse contexto, o ouro apresentou valorização expressiva, refletindo o movimento típico de migração de capital para instrumentos de proteção em momentos de maior incerteza.

Cotação do dia e desempenho das principais criptos

Por volta das 17 horas, no horário de Brasília, o bitcoin acumulava queda de 4,31%, sendo negociado a US$ 74.820,49. Já o Ethereum, segunda maior criptomoeda do mercado, recuava ainda mais, com baixa de 5,65%, cotado a US$ 2.197,97, segundo dados da Binance.

O desempenho negativo acompanhou a deterioração de ativos de risco nos Estados Unidos, especialmente empresas de tecnologia, setor que costuma ter correlação mais forte com o comportamento das criptomoedas em períodos de aversão ao risco.

Pacote fiscal dos EUA e ambiente político

No campo político, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou um pacote de financiamento do governo revisado pelo Senado, no valor de US$ 1,2 trilhão, com o objetivo de encerrar a paralisação parcial da máquina pública. A votação apertada garantiu a continuidade das atividades federais até 30 de setembro.

Apesar da aprovação do pacote, o mercado não apresentou melhora relevante no humor dos investidores. A medida não foi suficiente para reverter a tendência de baixa observada nas criptomoedas e em outros ativos mais sensíveis ao risco.

Regulação de criptoativos segue em debate

Autoridades do governo norte-americano também se reuniram com representantes do setor de criptomoedas para discutir propostas de regulamentação dos mercados de ativos digitais. Entre os projetos em análise está a chamada Lei de Clareza do Mercado de Ativos Digitais, que busca estabelecer regras mais definidas para o segmento, mas ainda não avançou no Congresso.

A incerteza regulatória é apontada por analistas como um fator adicional de cautela para investidores institucionais, que aguardam maior previsibilidade jurídica antes de ampliar a exposição ao setor.

Solana ganha destaque entre analistas

Enquanto o bitcoin enfrentava pressão vendedora, outras criptomoedas passaram a atrair atenção de especialistas. A Solana foi citada por analistas do Standard Chartered como uma possível beneficiária do crescimento de micropagamentos digitais, graças ao custo reduzido de transações em sua rede.

Segundo a avaliação, a blockchain da Solana pode ganhar espaço à medida que novos aplicativos financeiros sejam desenvolvidos nos próximos anos. O banco projeta que o ativo possa atingir US$ 250 ainda este ano e chegar a US$ 2.000 até 2030, partindo de níveis próximos a US$ 102,75.

Além disso, dados de mercado indicam que os fluxos em exchanges descentralizadas da rede vêm migrando de memecoins para stablecoins lastreadas em Solana, sinalizando possível mudança no perfil de uso do ecossistema.

Visão Bolso do Investidor

A queda do bitcoin reforça a sensibilidade das criptomoedas ao cenário macroeconômico e ao humor global de risco, especialmente quando há pressão sobre ações de tecnologia e incertezas regulatórias. Para investidores, momentos de forte volatilidade exigem atenção ao perfil de risco e ao horizonte de investimento. Enquanto ativos como o ouro tendem a ganhar espaço em períodos defensivos, o mercado cripto permanece dependente de fatores como regulação, adoção tecnológica e liquidez internacional. Diversificação e gestão de risco seguem sendo pontos essenciais para quem opera nesse segmento.

Fontes: Estadão Conteúdo; InfoMoney