Bitcoin pode enfrentar “espiral de vendas” e pressionar mineradoras e empresas, alerta investidor que previu a crise de 2008

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 06 de fevereiro de 2026

O investidor Michael Burry, conhecido por ter antecipado a crise do subprime nos Estados Unidos e retratado no filme The Big Short, voltou a chamar a atenção do mercado ao afirmar que o Bitcoin pode entrar em uma nova fase de forte deterioração, com potencial para desencadear um efeito em cadeia em empresas e mineradores ligados ao setor.

Em análise publicada em sua conta no Substack, Burry avaliou que a recente desvalorização do Bitcoin pode evoluir para uma “espiral da morte”, cenário em que quedas adicionais forçam liquidações sucessivas, pressionando ainda mais os preços.

Segundo ele, a criptomoeda, que já acumula recuo próximo de 40% desde o pico registrado em outubro, voltou a se comportar como um ativo estritamente especulativo, sem conseguir exercer o papel de proteção patrimonial que parte do mercado esperava, diferentemente de metais preciosos como o Ouro.

Quedas podem gerar efeito cascata no setor corporativo

Na avaliação do investidor, novas perdas podem comprometer rapidamente os balanços de companhias que acumularam grandes posições em Bitcoin como reserva de caixa. Com ativos marcados a mercado, a deterioração de preços pode obrigar gestores a reduzir exposição, intensificando o movimento vendedor.

Burry citou como exemplo a Strategy, empresa conhecida por manter a maior tesouraria corporativa em Bitcoin do mundo. Para ele, uma queda adicional de cerca de 10% já seria suficiente para ampliar significativamente os prejuízos contábeis e limitar o acesso da companhia ao mercado de capitais.

Embora a administração da empresa tenha negado risco imediato de estresse financeiro ou chamadas de margem, o investidor argumenta que a margem de segurança tende a diminuir caso o ativo continue perdendo valor ou a demanda por ações da companhia enfraqueça.

Perda de função defensiva preocupa

Outro ponto levantado por Burry é a mudança de comportamento do Bitcoin frente a choques macroeconômicos. Tradicionalmente, momentos de fraqueza do dólar ou aumento de riscos geopolíticos favoreceriam ativos alternativos. No entanto, segundo ele, a criptomoeda não tem reagido a esses gatilhos.

Enquanto o ouro e a prata renovaram máximas recentes em períodos de incerteza, o Bitcoin seguiu pressionado, reforçando a leitura de que o ativo ainda é tratado majoritariamente como investimento de risco, semelhante a ações de tecnologia, e não como reserva de valor.

Para o investidor, a adoção por empresas e o crescimento dos ETFs à vista ajudaram a ampliar o mercado, mas também aumentaram a correlação com a Bolsa, o que pode intensificar resgates e vendas em fases de estresse.

Mineradores e mercados relacionados podem sentir impacto

Burry também avalia que uma queda mais profunda, com o Bitcoin se aproximando de US$ 50 mil, poderia comprometer a rentabilidade de mineradores, levando parte do setor a dificuldades financeiras ou até falências.

Ele acrescenta que movimentos de redução de risco já estariam respingando em outros ativos, como metais preciosos negociados via instrumentos financeiros tokenizados, ampliando oscilações e provocando liquidações forçadas.

Apesar do tom cauteloso, o investidor pondera que o tamanho atual do mercado cripto, estimado em cerca de US$ 1,5 trilhão, ainda é relativamente pequeno frente ao sistema financeiro global, o que reduziria o risco de contágio sistêmico mais amplo.


Visão Bolso do Investidor

Alertas de “espiral de vendas” costumam surgir em momentos de forte volatilidade e servem como lembrete de que criptomoedas permanecem ativos de alto risco, sensíveis à liquidez e fluxo de capital.

Para o investidor de longo prazo, a principal lição é dimensionar corretamente a exposição ao setor dentro da carteira. Ativos voláteis podem oferecer potencial de retorno elevado, mas não devem comprometer a estabilidade financeira do portfólio como um todo.

Diversificação, controle de risco e horizonte adequado continuam sendo mais relevantes do que tentar prever o próximo movimento do mercado.


Fontes:

  • InfoMoney