Bitcoin recua com tensão comercial e pode testar níveis mínimos em dois anos, avaliam analistas

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de fevereiro de 2026

O Bitcoin (BTC) voltou a registrar forte volatilidade nesta segunda-feira (23), após cair mais de 5% durante a madrugada e tocar a região de US$ 64 mil. Ao longo da manhã, a criptomoeda recuperou parte das perdas e voltou a negociar próxima de US$ 66 mil, em um movimento alinhado à instabilidade observada nos mercados globais.

A oscilação ocorre em meio à retomada das incertezas sobre tarifas comerciais nos Estados Unidos e à escalada das tensões geopolíticas envolvendo o Irã. O ouro, tradicional ativo de proteção, renovou máximas recentes, enquanto os futuros do S&P 500 também refletiram o aumento da aversão ao risco.

Tarifas e aversão ao risco pressionam mercado

A turbulência ganhou força após a Suprema Corte dos Estados Unidos barrar as chamadas tarifas “recíprocas” implementadas no ano passado. Poucas horas depois, o presidente Donald Trump anunciou novas tarifas globais de até 15% por um período de até 150 dias, reforçando a percepção de instabilidade comercial.

No mercado de derivativos, investidores passaram a buscar proteção contra novas quedas. Opções de venda com preços de exercício entre US$ 58 mil e US$ 62 mil registraram aumento relevante de contratos em aberto na Deribit desde sexta-feira, sinalizando expectativa de maior volatilidade.

Movimentações on-chain também contribuíram para o nervosismo. Dados de blockchain indicaram transferência de grandes volumes de Bitcoin para exchanges, movimento frequentemente associado à possibilidade de venda.

Criptomoedas de menor capitalização sofreram ainda mais. Solana e SUI chegaram a recuar entre 7% e 8%, enquanto dados da CoinGlass apontaram cerca de US$ 270 milhões em liquidações nas chamadas altcoins.

Pode cair mais?

Segundo analistas, o Bitcoin perdeu um suporte técnico importante na faixa de US$ 66.700. Caso a pressão vendedora continue, o ativo pode buscar níveis próximos de US$ 61 mil, patamar não visto desde outubro de 2024.

Outros especialistas avaliam que, diante do sentimento classificado como “medo extremo”, o movimento pode se estender até regiões de US$ 60 mil ou até US$ 53 mil, o que representaria o menor nível desde o início de 2024. Em caso de recuperação, resistências técnicas são apontadas nas faixas de US$ 72 mil e US$ 75.500.

ETFs e posição da Strategy no radar

Os fluxos em ETFs de Bitcoin também seguem sendo monitorados. Na última semana, os fundos registraram a quinta sequência de saídas líquidas, acumulando aproximadamente US$ 315 milhões negativos, apesar de uma entrada pontual na sexta-feira.

Enquanto parte do mercado reduz exposição, a Strategy, maior empresa listada com reservas em Bitcoin, anunciou sua centésima compra da criptomoeda. A companhia adquiriu mais 592 BTC por cerca de US$ 39,8 milhões, elevando suas reservas para 717.722 unidades.

O preço médio de aquisição da empresa é superior ao valor atual de mercado, o que implica perda não realizada relevante. As ações da companhia também registravam queda na sessão, acumulando recuo expressivo nos últimos 12 meses.

Visão Bolso do Investidor

O episódio reforça que o Bitcoin, apesar de frequentemente citado como proteção contra riscos sistêmicos, continua sensível a movimentos de aversão global ao risco e a eventos macroeconômicos. Tarifas comerciais, tensões geopolíticas e fluxo em ETFs influenciam diretamente a liquidez do mercado.

Para o investidor, momentos de volatilidade exigem atenção à gestão de risco, ao posicionamento em carteira e à diferença entre convicção estrutural e exposição tática de curto prazo. O ambiente atual permanece marcado por incertezas externas e sensibilidade elevada a notícias.


Fontes:

  • InfoMoney