Bitcoin recua para US$ 86 mil em meio à rotação no mercado de ações

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 16 de dezembro de 2025

O Bitcoin (BTC) opera em forte queda nesta terça-feira, sendo negociado na faixa dos US$ 86 mil, pressionado por uma combinação de enfraquecimento do apetite ao risco nos mercados globais e uma rotação relevante no mercado acionário dos Estados Unidos. Por volta das 11h (horário de Brasília), a principal criptomoeda do mercado era cotada a US$ 86.359, acompanhando o recuo dos futuros de Nova York após a divulgação de novos dados de emprego nos EUA.

O movimento ocorre em um contexto de deterioração do sentimento dos investidores, que vêm reduzindo exposição a ativos considerados mais voláteis. A queda do Bitcoin acontece paralelamente à saída de capital de ações de crescimento em Wall Street, especialmente papéis ligados à inteligência artificial, após um ano de fortes valorizações. Esse processo de realocação favorece ativos de perfil mais defensivo, pressionando tanto o mercado cripto quanto outros segmentos de maior risco.

Desde o recorde histórico acima de US$ 126 mil, registrado no início de outubro, o Bitcoin acumula uma desvalorização próxima de 30%. O desempenho fraco se intensifica neste fim de ano, período marcado por menor liquidez e maior sensibilidade a fluxos de saída. O Ethereum (ETH) também segue pressionado, sendo negociado em torno de US$ 2.899, com queda superior a 7% nas últimas 24 horas.

Os dados mais recentes do mercado de trabalho americano indicaram recuperação na criação de vagas em novembro, mas a taxa de desemprego subiu para 4,6%. O número reforçou a percepção de perda de fôlego da economia e reacendeu preocupações sobre o ritmo de crescimento dos Estados Unidos, fator que pesa sobre ativos de risco em geral.

Segundo analistas, qualquer tentativa de recuperação do Bitcoin tem encontrado resistência por parte de investidores que entraram próximos às máximas históricas e agora aproveitam repiques para reduzir posições. Esse comportamento se soma à rotação em curso no mercado acionário, em que investidores vêm migrando capital de ações de crescimento para papéis de valor, após um ciclo intenso de valorização liderado pelo tema da inteligência artificial.

Outro ponto de pressão vem dos fundos negociados em bolsa (ETFs) de criptomoedas. Na segunda-feira, os ETFs de Bitcoin e Ethereum listados nos Estados Unidos registraram resgates líquidos combinados de US$ 582 milhões, o maior volume desde o dia 20 de novembro. Dados da Glassnode mostram que o custo médio de aquisição do Bitcoin por esses fundos gira em torno de US$ 83 mil, nível que vem funcionando como suporte relevante nas quedas mais recentes.

Do ponto de vista técnico, analistas observam que, caso o fluxo vendedor continue, o Bitcoin pode testar suportes na região de US$ 85.600 e, em um cenário mais negativo, próximo de US$ 79.000. Por outro lado, uma eventual reversão do movimento exigiria retomada consistente do fluxo comprador, com resistências importantes localizadas nas faixas de US$ 94.500 e US$ 101.300. Para o Ethereum, o suporte mais relevante está próximo de US$ 2.840, enquanto resistências aparecem em níveis acima de US$ 3.400.


Visão Bolso do Investidor

O movimento recente do Bitcoin reflete menos fatores específicos do mercado cripto e mais uma mudança de postura global dos investidores diante do cenário macroeconômico. A rotação de capital, a retirada de liquidez e o comportamento defensivo em Wall Street tendem a impactar diretamente ativos de maior volatilidade, como criptomoedas. Para o investidor, o momento reforça a importância de compreender ciclos, níveis de risco e a influência dos fluxos institucionais, especialmente via ETFs, na formação de preços do mercado cripto.


Fontes:

  • InfoMoney
  • Bloomberg