Bitcoin renova mínima desde abril e intensifica queda em meio à aversão global ao risco

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 21 de novembro de 2025

O mercado de criptomoedas voltou a sentir o impacto da aversão ao risco nesta quinta-feira, prolongando a sequência de perdas que já ultrapassa um mês. O Bitcoin (BTC), principal referência do setor, recuou mais de 4% e rompeu o nível de US$ 87 mil, atingindo o menor patamar desde abril, em um ambiente marcado por baixa liquidez e menor disposição dos investidores a assumir riscos.

A correção ocorre semanas depois do desmonte de posições por investidores mais ativos que haviam impulsionado o movimento de alta em outubro. A retirada desse fluxo criou um terreno frágil, tornando o mercado mais vulnerável à pressão vendedora e a oscilações abruptas.

As criptomoedas estão passando por vendas em massa de grandes investidores que seguem a narrativa do ciclo de quatro anos, e este período costuma marcar quedas mais fortes”, explicou James Butterfill, chefe de pesquisa da CoinShares. “Não vemos fundamentos que justifiquem a queda, mas o movimento virou uma profecia autorrealizável, com grandes detentores vendendo mais de US$ 20 bilhões desde setembro.

Pressão externa do mercado acionário

O ambiente macroeconômico também pesou sobre ativos de risco. As ações americanas chegaram a disparar após a divulgação dos resultados da Nvidia, reacendendo a euforia com inteligência artificial, mas os ganhos desapareceram rapidamente.

As dúvidas sobre a capacidade do Federal Reserve de iniciar cortes de juros em dezembro e o desconforto com valuations elevados no setor de IA aumentaram a volatilidade em Wall Street, levando investidores a buscar proteção.

Olhos no suporte crítico

A queda acentuada do Bitcoin acionou alertas no mercado de opções. Operadores monitoram atentamente o nível de US$ 85 mil, que concentra a maior demanda por proteção, seguido por US$ 82 mil, de acordo com contratos negociados na Deribit, plataforma de derivativos pertencente à Coinbase.

O comportamento recente do BTC não pode ser dissociado da onda de liquidações que marcou outubro. Na ocasião, mais de US$ 19 bilhões em posições alavancadas foram eliminadas em um único dia, secando a liquidez e interrompendo o ímpeto comprador. Os livros de ordens ainda não se recuperaram totalmente, deixando os preços mais suscetíveis a variações provocadas por fluxos reduzidos.

Aversão ao risco e incerteza monetária

A tensão econômica global intensifica esse cenário. A falta de clareza sobre a estratégia de política monetária do Federal Reserve — agravada por indicadores mistos, ampliou a cautela dos investidores em relação a ativos de maior risco.

Persiste a incerteza sobre como o Fed ajustará sua política monetária na ausência de dados claros. Essa incerteza está comprimindo o apetite por risco, e isso aparece com mais força em ativos como criptomoedas”, afirmou Jake Ostrovskis, chefe de negociação de balcão da Wintermute.


Visão Bolso do Investidor

A queda do Bitcoin reforça a dinâmica típica de um mercado marcado por liquidez reduzida e sensibilidade extrema a fluxos pontuais. Para investidores, o movimento atual sinaliza que a volatilidade deve permanecer elevada enquanto persistirem dúvidas sobre juros nos Estados Unidos.

No curto prazo, o BTC tende a responder mais ao sentimento global do que a fatores estruturais do próprio universo cripto. Para quem investe, isso exige disciplina: evitar alavancagem, manter uma parcela moderada do portfólio em cripto e considerar aportes apenas com foco de longo prazo, justamente onde a volatilidade tende a se diluir.

Enquanto a política monetária não der sinais mais claros, movimentos bruscos devem continuar fazendo parte do jogo.


Fontes:

  • InfoMoney