Bitcoin volta a cair abaixo de US$ 100 mil e acende alerta sobre nova onda de liquidações

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 04 de novembro de 2025


O Bitcoin (BTC) voltou a operar abaixo dos US$ 100 mil pela primeira vez desde junho, marcando uma virada de sentimento no mercado de criptoativos após meses de otimismo. A queda de 6,5% nesta terça-feira (4), para US$ 99.963, fez a moeda digital devolver praticamente todos os ganhos acumulados no rali do meio do ano — e reacendeu o temor de novas liquidações em larga escala. O movimento ocorre um mês após o ativo atingir sua máxima histórica, e agora já acumula queda superior a 20% desde então, um recuo que especialistas classificam como um “bear market técnico” — quando o ativo perde mais de 20% em relação ao topo recente.


Liquidações e perda de fôlego institucional

Segundo dados da Coinglass, as liquidações no mercado futuro — em que investidores apostam na valorização da moeda — chegaram a US$ 19 bilhões em outubro, no maior evento do tipo já registrado em 2025. O impacto psicológico desse episódio ainda domina o mercado.

“Os traders ficaram receosos em retomar posições longas após o colapso de outubro, e a liquidez segue fraca. O mercado opera com baixo volume e alta volatilidade”, explicou Chris Newhouse, diretor de pesquisa da empresa de finanças descentralizadas Ergonia. Mesmo com custos de financiamento favoráveis, o interesse aberto em contratos futuros de Bitcoin permanece bem abaixo dos níveis observados antes da liquidação. Com isso, a criptomoeda acumula alta inferior a 10% em 2025, ficando atrás das ações globais e falhando em se consolidar como instrumento de proteção de portfólio.


Correlação com ações e impacto das big techs

A queda do Bitcoin também reflete a reversão nas bolsas globais, especialmente nas ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial. Companhias como Nvidia e Palantir registraram fortes perdas nesta semana, puxando o apetite por risco para baixo.

O Bitcoin, que frequentemente funciona como um termômetro do sentimento especulativo, segue o mesmo padrão de correlação observado em outros períodos: quando o mercado de tecnologia perde força, os ativos digitais tendem a acompanhar.

Além disso, saídas expressivas de ETFs de Bitcoin e Ethereum indicam perda de interesse dos investidores institucionais, que vinham sustentando a alta desde o primeiro semestre.


Pressão técnica e sentimento de cautela

Nos mercados de opções, investidores se movimentam para se proteger de novas quedas. Os contratos mais negociados têm preço de exercício em US$ 80 mil, com vencimento no fim de novembro — um sinal de que o mercado teme novas ondas de venda. Ao mesmo tempo, a volatilidade implícita voltou a subir, e especialistas alertam que, embora o movimento recente não indique pânico, o sentimento é de cautela e aversão a risco.

Segundo a exchange Deribit, as posições vendidas de curto prazo dominam o volume de negociações, mostrando que o mercado está mais defensivo do que apostando em retomadas de longo prazo.


Análise do Bolso do Investidor

A queda do Bitcoin é resultado direto da combinação entre liquidações massivas, correção dos ativos de tecnologia e saída de capital institucional. No cenário macroeconômico, a desaceleração dos cortes de juros nos EUA e a alta do dólar reforçam a pressão sobre ativos de risco. Para o investidor brasileiro, o recuo do Bitcoin reforça a importância da diversificação de portfólio e da gestão de risco. Embora o ativo mantenha atratividade no longo prazo como reserva digital, movimentos bruscos de volatilidade mostram que sua função ainda é especulativa e sensível ao ambiente global de liquidez.Enquanto isso, o foco do mercado deve permanecer nos próximos indicadores econômicos dos EUA e nas decisões de política monetária, que tendem a influenciar diretamente o rumo dos criptoativos até o fim de 2025.

Fontes: Infomoney