BNDES investe R$ 250 milhões para recuperar florestas na Amazônia e Mata Atlântica

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 12 de novembro de 2025

Projeto prevê restauração florestal em seis estados até 2028 e deve evitar emissão de 1,27 milhão de toneladas de CO₂ por ano

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a liberação de R$ 250 milhões para financiar projetos de restauração ecológica e silvicultura de espécies nativas em áreas da Amazônia e da Mata Atlântica. Os recursos fazem parte do Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, e foram anunciados durante a COP30, em Belém (PA).

Recuperação ambiental em seis estados

O projeto tem como meta restaurar 19 mil hectares até 2028, abrangendo Maranhão, Pará e Tocantins, na Amazônia, e Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, no Vale do Paraíba, dentro da Mata Atlântica. A iniciativa será conduzida pela re.green, empresa fundada por cientistas e investidores ambientais, vencedora do prêmio Earthshot 2025, idealizado pelo príncipe William, do Reino Unido. Segundo o BNDES, o financiamento cobre 35,4% do investimento total e deve evitar a emissão de 1,27 milhão de toneladas de CO₂ equivalente por ano a partir de 2030.

Emprego verde e economia sustentável

A expectativa é de geração de 2.850 empregos temporários durante a implantação e 390 permanentes após a conclusão do projeto. A área-âncora é a Fazenda Ipê, em Paragominas (PA), onde o plantio começou em 2024. Para o presidente do banco, Aloizio Mercadante, a restauração florestal é “uma das formas mais eficientes e baratas de combater as mudanças climáticas, com geração de emprego e renda”. A diretora socioambiental Tereza Campello reforçou que o Fundo Clima está consolidando uma nova economia da restauração, com projetos que transformam a preservação ambiental em ativos sustentáveis de longo prazo.

Arco do Desmatamento vira Arco da Restauração

A operação faz parte do esforço do governo federal para transformar o chamado “Arco do Desmatamento” em “Arco da Restauração”, iniciativa que busca recuperar 6 milhões de hectares de floresta até 2030, com investimentos estimados em US$ 10 bilhões. O novo financiamento se soma a um aporte anterior de R$ 187 milhões, aprovado em 2024, elevando o total de crédito concedido pelo Fundo Clima a R$ 437 milhões, abrangendo 34 mil hectares de florestas tropicais.

Fundo Clima ganha força

Desde sua reformulação em 2023, o Fundo Clima passou a destinar integralmente os royalties do petróleo a projetos ambientais, com juros de até 4,5% ao ano. Até o momento, já foram aprovados R$ 1,9 bilhão em financiamentos voltados à restauração ecológica, silvicultura nativa e concessão de parques naturais.

Visão Bolso do Investidor

O avanço de projetos sustentáveis financiados por recursos públicos reforça a importância crescente da economia verde no Brasil. Além do impacto ambiental positivo, o movimento tende a abrir oportunidades de investimentos privados em crédito de carbono e bioeconomia, setores que devem ganhar força nos próximos anos.
Para o investidor atento, trata-se de um novo vetor de crescimento de longo prazo, alinhado a práticas ESG e à transição global para um modelo econômico mais sustentável.


Fontes: BNDES; Ministério do Meio Ambiente; re.green; COP30; Agência Brasil.