Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de dezembro de 2025

As ações da Alpargatas (ALPA4), controladora da marca Havaianas, encerraram a segunda-feira (22) em forte queda após a repercussão de um boicote anunciado pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nas redes sociais. O movimento provocou uma desvalorização de aproximadamente R$ 152 milhões no valor de mercado da companhia, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria.
Os papéis fecharam o pregão com recuo de 2,39%, cotados a R$ 11,44, em um dia marcado por elevado volume de comentários políticos nas redes sociais envolvendo a campanha publicitária de fim de ano da marca.
Campanha publicitária gera reação política
A reação ocorreu após a divulgação de uma peça publicitária estrelada pela atriz Fernanda Torres, na qual a artista afirma não desejar que as pessoas “comecem o ano com o pé direito”, incentivando o público a iniciar 2026 “com os dois pés”, em uma mensagem interpretada como estímulo à ação e protagonismo pessoal.
Parte dos usuários nas redes sociais interpretou o conteúdo como uma provocação política. Em resposta, Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo no qual aparece descartando um par de sandálias da marca, acusando a campanha de carregar uma mensagem ideológica.
No vídeo, gravado nos Estados Unidos, onde reside desde fevereiro, o ex-parlamentar afirmou que sempre enxergou a Havaianas como um símbolo nacional, mas declarou ter se decepcionado com a escolha da garota-propaganda. Segundo ele, a campanha não teria sido casual e refletiria um posicionamento político específico.
Eduardo Bolsonaro também mencionou pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro e acusou a atriz de defender prisões relacionadas aos ataques às sedes dos Três Poderes, ampliando a polarização em torno da publicidade.
Estrutura acionária da Alpargatas
A Alpargatas possui como principais acionistas a Itaúsa S.A., com 29,58% do capital total, e a Cambuhy Alpa Holding Ltda., com 23,77%. Juntos, os dois grupos detêm mais da metade da companhia.
Confira a composição acionária:
| Acionista | Participação total |
| Itaúsa S.A. | 29,58% |
| Cambuhy Alpa Holding Ltda. | 23,77% |
| Alpa FIA | 4,82% |
| MS Alpa Participações Ltda. | 4,85% |
| Silvio Tini de Araújo | 7,15% |
| Bonsucex Holding S.A. | 6,06% |
| JP Morgan | 2,54% |
| Tesouraria | 0,77% |
| Outros | 20,46% |
Mercado reage à exposição política
O episódio reforça como eventos de cunho político e reputacional podem gerar impacto imediato sobre empresas de consumo com forte presença de marca. Ainda que não haja alteração nos fundamentos operacionais da companhia, o mercado costuma reagir de forma sensível a riscos de imagem, especialmente quando envolvem polarização e potencial boicote.
Até o momento, a Alpargatas não divulgou comunicado oficial comentando a repercussão da campanha ou o impacto da reação política sobre a marca.
Visão Bolso do Investidor
Casos como o da Alpargatas mostram que, além dos fundamentos financeiros, riscos reputacionais e políticos também entram no radar do mercado. Empresas com marcas amplamente reconhecidas tendem a ser mais sensíveis a ruídos externos, ainda que temporários.
Para o investidor, episódios desse tipo reforçam a importância de avaliar não apenas balanços e resultados, mas também exposição de marca, posicionamento institucional e capacidade de gestão de crises. Movimentos pontuais de preço nem sempre alteram a tese de longo prazo, mas aumentam a volatilidade no curto prazo e exigem atenção redobrada.
Fontes:
- InfoMoney
