Boletim Focus aponta nova queda nas projeções de inflação para 2025 e 2026

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 29 de dezembro de 2025

As projeções de inflação do mercado financeiro voltaram a recuar no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Banco Central do Brasil. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 caiu pela sétima semana consecutiva, enquanto a projeção para 2026 registrou a sexta baixa seguida.

De acordo com o relatório, a mediana das expectativas para o IPCA de 2025 passou de 4,33% para 4,32%. O número está 0,18 ponto percentual abaixo do teto da meta de inflação, fixado em 4,50%. Há um mês, a projeção era de 4,43%. Considerando apenas as 111 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana recuou de 4,32% para 4,31%.

Para 2026, a projeção do IPCA caiu de 4,06% para 4,05%, após seis semanas consecutivas de revisão para baixo. Um mês atrás, a estimativa era de 4,17%. Entre as 110 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana passou de 4,07% para 4,06%.

Expectativas do Banco Central e política monetária

O Banco Central projeta inflação de 4,4% em 2025 e de 3,5% em 2026, conforme indicado nas comunicações mais recentes do Comitê de Política Monetária. No horizonte considerado relevante pela autoridade monetária, o segundo trimestre de 2027, a expectativa é de inflação acumulada em 12 meses de 3,2%.

Na última reunião, o Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva. No comunicado, o colegiado afirmou que a estratégia de manter os juros em patamar elevado por um período prolongado é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.

Desde 2025, o regime de metas passou a ser contínuo, considerando o IPCA acumulado em 12 meses. O centro da meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Caso a inflação permaneça fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que a meta foi descumprida.

Após ter ultrapassado o teto da meta em meados do ano, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,46% em novembro, voltando a ficar dentro do intervalo de tolerância. No Relatório de Política Monetária mais recente, o Banco Central reafirmou o compromisso com a convergência da inflação ao centro da meta.

Projeções de longo prazo e juros

O Boletim Focus mostrou ainda estabilidade nas projeções de inflação para os anos seguintes. A estimativa para o IPCA de 2027 permaneceu em 3,80% pela oitava semana consecutiva, enquanto a projeção para 2028 seguiu em 3,50%, também sem alterações.

Em relação à taxa básica de juros, a mediana das expectativas para a Selic ao fim de 2026 permaneceu em 12,25%. Um mês antes, a projeção era de 12,0%. Considerando apenas as 88 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana recuou de 12,25% para 12,13%.

Para o fim de 2027, a projeção para a Selic seguiu em 10,50% pela 46ª semana consecutiva. Já a estimativa para 2028 permaneceu em 9,75%, levemente acima do patamar observado um mês antes, de 9,50%.

Visão Bolso do Investidor

A sequência de revisões para baixo nas projeções de inflação indica uma melhora gradual das expectativas do mercado, reforçando a percepção de que a política monetária restritiva começa a produzir efeitos. Para investidores, esse movimento é relevante porque influencia diretamente as decisões do Banco Central sobre juros, impactando o desempenho da renda fixa, da renda variável e do custo do crédito. A combinação entre inflação em desaceleração e Selic ainda elevada mantém a atenção sobre o equilíbrio entre controle de preços e ritmo de atividade econômica.

Fontes: Estadão Conteúdo