Bolsa em recorde enquanto a opinião pública permanece desconfiada — entenda o motivo

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de setembro de 2025


Recordes na Bolsa — e a percepção de distanciamento social

A bolsa brasileira vem alcançando recordes sucessivos — mais investidores, valor de mercado ampliado, desempenho expressivo de vários papéis. No entanto, apesar desse cenário positivo para os mercados financeiros, há um sentimento persistente de desconfiança entre a população. Esse sentimento surge da memória de crises econômicas passadas, de percepções sobre desigualdade e da sensação de que a alta na bolsa muitas vezes não reflete melhoria no dia-a-dia das pessoas.


Principais razões da desconfiança

  1. Desigualdade e exclusão
    Muitos enxergam que a valorização nos mercados beneficia apenas quem já participa deles — grandes investidores, agentes financeiros, quem tem perfil de risco, acesso à informação — enquanto a maioria da população não sente esse impacto. A inflação, desemprego ou baixos salários continuam presentes na rotina de muitos, o que gera desconforto sobre o real alcance do “crescimento econômico”.
  2. Memória de crises econômicas
    Crises fiscais, recessões, instabilidades políticas anteriores deixaram marcas profundas. Quando a bolsa sobe, parte do público questiona se o “sucesso” será durável, se há bolha ou se há risco de colapso parecido ao que já foi visto.
  3. Falta de transparência percebida
    Há uma percepção de que o mercado financeiro opera sob regras incompreensíveis para a maioria, com termos técnicos, operações complexas, decisões internas pouco visíveis ao público em geral. Essa “opacidade” alimenta dúvidas: “Quem realmente lucra com isso? Quais riscos estamos correndo?”
  4. Notícias negativas e sensação de instabilidade
    Eventos como escândalos, corrupção, movimentos populistas ou medidas governamentais inesperadas reforçam a sensação de incerteza. Mesmo que os fundamentos financeiros estejam fortes, notícias adversas amplificam a desconfiança no público.

Consequências para o mercado e para investidores

  • A desconfiança pública pode limitar o aumento de investidores de varejo nas ações ou nos fundos de investimento — que, por sua vez, é uma alavanca de crescimento para liquidez e desenvolvimento de mercado.
  • A pressão por políticas públicas mais inclusivas aumenta: demandas de educação financeira, regulação mais clara, ações ou incentivos para permitir que mais pessoas participem do mercado com segurança.
  • Empresas e governos podem sofrer impactos reputacionais caso não alinhem resultados financeiros com ações percebidas como benéficas ao contribuinte comum.

Caminhos para construir mais confiança

  • Maior transparência: empresas e corretoras mostrando de forma clara não só resultados, mas possíveis riscos, custos e limites; aumentar a comunicação de forma compreensível ao público leigo.
  • Educação financeira: escolas, meios de comunicação, plataformas. Quanto mais as pessoas entenderem como funciona bolsa, juros, inflação, mercado financeiro, menos serão as reações baseadas em desconfiança genérica.
  • Políticas públicas de inclusão no mercado de capitais, com incentivos ou mecanismos para que classes de menor renda possam ter participação segura (por exemplo, fundos de pequena escala, micro investimentos, taxas menores).
  • Fortalecimento institucional: regulação, fiscalização, punição de fraudes ou abusos; cadeia de confiança que mostre que há consequências quando regras são violadas.

Fechamento explicativo:
A alta nos preços de ativos e os recordes da bolsa mostram que há força no setor financeiro, mas a confiança do público geral ainda está longe de acompanhar esse otimismo. Para que esse ambiente se torne sustentável, é preciso que a valorização de ativos venha acompanhada de melhoria na economia real, expansão da base de quem participa do mercado, transparência e responsabilidade institucional. Para investidores, esse cenário indica que retornos altos são possíveis, mas também que riscos reputacionais, políticos e de percepção pública merecem atenção.


Fontes:

InfoMoney – InfoMoney