Brasil amplia foco nas importações de trigo argentino após Milei zerar impostos e eleva pressão sobre preços internos

Publicado por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 24/09/2025


Trigo argentino ganha vantagem com isenção tributária

A decisão do governo argentino de zerar o imposto de exportação sobre grãos e seus derivados está remodelando as dinâmicas do mercado brasileiro de trigo. Com essa medida, os moinhos nacionais tendem a ampliar ainda mais suas compras do país vizinho, o que deve aumentar a pressão sobre os preços pagos aos produtores domésticos.

Até agosto, o Brasil já havia importado 3,66 milhões de toneladas de trigo da Argentina, dentro de um total de 4,68 milhões de toneladas importadas no período. Esse volume representa crescimento de 24% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, reforçando o papel do parceiro argentino como principal fornecedor do cereal.

Antes da mudança, a exportação de trigo argentino estava sujeita a um imposto de 9,5%. Com a isenção, o produto se torna ainda mais competitivo no mercado externo, atraindo de imediato a atenção da indústria brasileira de moagem.


Efeitos imediatos: queda de preços e pressão sobre agricultores

No Paraná, os preços do trigo recuaram mais de 9% em setembro, chegando a cerca de R$ 1.275 por tonelada, de acordo com o indicador do Cepea. Esse movimento ilustra a dificuldade enfrentada pelos agricultores brasileiros, que já trabalham próximos da chamada “paridade de importação” — nível em que os preços pagos domesticamente ficam praticamente iguais aos do produto importado.

Analistas apontam que a eliminação do imposto argentino adiciona um novo fator de pressão, somando-se às variáveis já negativas como câmbio, custos logísticos e preços internacionais em queda. Representantes do setor calculam que o trigo argentino chegou a ficar entre US$ 2 e US$ 3 por tonelada mais barato logo após a medida, estimulando compras por parte dos moinhos brasileiros.


Produção brasileira enfrenta cenário desafiador

A conjuntura é especialmente difícil para os produtores nacionais, que já enfrentam perdas em algumas regiões devido ao clima adverso. Com a entrada de trigo argentino sem impostos, o espaço para repasse de custos e preservação de margens fica ainda mais limitado.

Especialistas avaliam que a safra 2025 ainda pode trazer bons resultados, caso o clima favoreça, mas reconhecem que a rentabilidade dos agricultores estará sob forte teste diante da maior competitividade externa.


Consequências e perspectivas

  • Indústria de moagem: os moinhos devem ser beneficiados com custos mais baixos e maior oferta de trigo, o que pode resultar em preços mais competitivos de farinha e derivados.
  • Produtores rurais: a concorrência com o produto argentino tende a reduzir margens, pressionando o setor a buscar maior eficiência e apoio de políticas públicas.
  • Mercado nacional: o Brasil precisa equilibrar a abertura às importações com mecanismos que garantam sustentabilidade para a produção doméstica, evitando que produtores percam competitividade em momentos críticos.

A medida do governo argentino mostra como decisões regulatórias podem mudar rapidamente o equilíbrio de preços no comércio internacional e reforça a necessidade de o Brasil estar atento a estratégias para proteger seus produtores sem perder competitividade global.


Fonte: InfoMoney