Brasil mantém segundo maior juro real do mundo, mesmo após decisão do Copom

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação:
11 de dezembro de 2025

O Brasil permaneceu, pelo sexto mês consecutivo, como o país com o segundo maior juro real do mundo, agora em 9,44%, mesmo após o Comitê de Política Monetária (Copom) decidir manter a Selic em 15% ao ano. O dado faz parte do ranking elaborado pela MoneYou e Lev Intelligence, liderado pelo economista-chefe Jason Vieira, e considera as 40 maiores economias globais.

De acordo com o levantamento, houve um leve recuo em relação à medição anterior, quando o juro real do país estava em 9,74%. Ainda assim, o patamar segue elevado e reforça o ambiente de cautela do Banco Central diante das incertezas fiscais e inflacionárias.

Mesmo que o Copom tivesse optado por elevar ou reduzir a taxa básica em 0,25 ponto percentual, a posição do Brasil no ranking não mudaria. Segundo Vieira, o cenário doméstico continua pressionado pela questão fiscal, que gera tensão sobre a trajetória da inflação, apesar de sinais recentes de alívio em alguns itens e da desaceleração global em curso.

Maiores juros reais do mundo

A seguir, os cinco países que lideram o ranking global de juros reais:

PosiçãoPaísJuro real
1Turquia10,33%
2Brasil9,44%
3Rússia7,89%
4Argentina7,14%
5México4,21%

Visão Bolso do Investidor

O juro real brasileiro em patamar tão elevado reforça uma característica estrutural da economia do país: a necessidade de forte aperto monetário para conter expectativas de inflação em ambientes de risco fiscal. Para o investidor, esse cenário traz oportunidades e desafios.

De um lado, investimentos de renda fixa continuam oferecendo rentabilidade expressiva em termos reais, o que favorece estratégias mais conservadoras ou de preservação de patrimônio. Por outro, juros persistentemente altos encarecem o crédito, reduzem o fôlego da atividade econômica e tendem a pressionar o mercado acionário, que depende de perspectivas mais claras de crescimento e custos menores para financiar empresas.

Enquanto a política fiscal seguir colocando dúvidas sobre a trajetória das contas públicas, a probabilidade de cortes rápidos na Selic permanece limitada. A convergência do juro real para patamares mais compatíveis com países emergentes dependerá diretamente do avanço das reformas, da disciplina fiscal e da ancoragem das expectativas de inflação.

Fontes: MoneYou, Lev Intelligence, InfoMoney