Brasil pode colher safra de café recorde em 2026 e mercado global já reage

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 14 de novembro de 2025

O Brasil pode alcançar em 2026 a maior safra de café de sua história. A projeção, divulgada pela StoneX, estimou que o país produzirá 70,7 milhões de sacas, um volume 13,5% maior que o do ciclo anterior e suficiente para trazer alívio a um mercado global apertado por anos de oferta limitada. Se confirmada, a colheita superará o recorde atual de 67,6 milhões de sacas obtido no ciclo 2020/21.

O avanço esperado se deve principalmente à recuperação do café arábica, espécie mais valorizada no mercado internacional. A StoneX calcula que a produção dessa variedade poderá chegar a 47,2 milhões de sacas, um salto anual de 29,3%. Para o conilon (robusta), que atingiu recorde em 2025, há previsão de leve recuo para 23,5 milhões de sacas. Apesar do cenário otimista, a consultoria observa que o volume ainda está abaixo do potencial máximo do país. Irregularidade das floradas, clima seco em algumas regiões e etapas agrícolas ainda pendentes podem limitar o desempenho final. Mesmo assim, o Brasil reforçaria sua posição de maior produtor e exportador global.

Minas Gerais, maior polo cafeeiro do país, deverá registrar crescimento em todas as regiões. O Sul de Minas, sozinho, deve colher 17,2 milhões de sacas, alta de 21,1%. Já São Paulo — segundo maior produtor — pode ter um avanço expressivo de 75,6%, impulsionado por lavouras que retornam da “safra zero” e novos plantios, embora ainda com preocupações sobre abortamento de floradas e clima irregular. No Norte do país, Rondônia deve crescer 32% e alcançar 3,3 milhões de sacas, ajudado por clima favorável e expansão de áreas cultivadas. O Espírito Santo, por outro lado, deve registrar queda de 15% na produção de conilon, para 16,3 milhões de sacas, após o desgaste estrutural das lavouras e floradas prejudicadas por ventos frios e chuvas no período crítico.

A estimativa de uma supersafra em 2026 traz expectativa positiva para reequilibrar estoques globais, que foram fortemente reduzidos entre 2021 e 2024 — período marcado por déficits consecutivos no balanço de oferta, que encolheram em mais de 22 milhões de sacas o volume disponível no mundo. Para analistas, o desempenho brasileiro, se confirmado, pode inaugurar um ciclo de recomposição desses estoques. De acordo com a StoneX, embora ainda dependa das condições climáticas nos próximos meses, o cenário é de melhora clara na oferta e tende a colocar o Brasil no centro da estabilização do mercado internacional. A consultoria evitou estimar exportações, mas reforçou que a magnitude da colheita em 2026 será determinante para o abastecimento global.

Visão Bolso do Investidor

A perspectiva de uma supersafra brasileira pode trazer impacto direto nos preços internacionais do café e no comportamento de empresas do setor, desde cooperativas até exportadoras. Para investidores, ciclos de grande oferta normalmente pressionam preços no curto prazo, mas fortalecem a competitividade do país e ampliam margens de exportação. O movimento também abre espaço para oportunidades em logística, crédito rural e empresas ligadas à cadeia agrícola.

Fontes: Reuters; Infomoney