Brasil registra maior carga tributária em mais de duas décadas, aponta Receita Federal

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 14 de dezembro de 2025

O Brasil atingiu, em 2024, o maior nível de carga tributária bruta dos últimos 22 anos. Segundo dados divulgados pela Receita Federal, os tributos arrecadados no país somaram 32,2% do Produto Interno Bruto (PIB), representando um aumento de 1,98 ponto percentual em relação a 2023, quando o índice havia sido de 30,22%.

De acordo com o órgão, caso não houvesse alteração na metodologia de cálculo, a carga tributária teria alcançado 34,12% do PIB. A revisão metodológica excluiu do cálculo as contribuições das empresas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e ao Sistema S, que engloba entidades como Sesi, Senai e Sesc.

A Receita explicou que a mudança teve como objetivo alinhar o indicador brasileiro aos padrões internacionais adotados por instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Embora essas contribuições tenham recolhimento obrigatório, o entendimento é de que não configuram tributos governamentais diretos, uma vez que os recursos do FGTS pertencem aos trabalhadores e os do Sistema S não estão sob controle direto do poder público.

Para preservar a comparabilidade histórica, o estudo apresentou o recálculo dos anos anteriores com a nova metodologia. Mesmo com a exclusão dessas rubricas, a Receita aponta que houve aumento consistente da carga tributária ao longo de toda a série analisada.

A mudança metodológica altera a distribuição da carga entre os entes federativos, reduzindo a participação de tributos classificados como federais, mas não interfere na repartição de recursos entre União, Estados e Municípios, que segue regras constitucionais e fundos de participação.

Avanço da arrecadação em todas as esferas

O aumento da carga tributária em 2024 foi observado nas três esferas de governo. No âmbito federal, os principais fatores foram a elevação da arrecadação de PIS/Pasep e Cofins, além do crescimento do imposto de renda retido na fonte da pessoa física (IRPF). Também contribuíram para o avanço os recolhimentos de IPI, imposto sobre comércio exterior, imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL).

Nos Estados, os maiores incrementos vieram do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD). Já no nível municipal, o crescimento foi mais moderado, com alta de 0,09 ponto percentual no Imposto sobre Serviços (ISS).

Os dados históricos mostram uma mudança gradual na participação dos entes federativos na arrecadação total. Em 2024, a União concentrou 66,14% da arrecadação, enquanto os municípios ficaram com 7,59%, patamar levemente inferior ao observado em 2023, que havia sido o maior desde o início da série em 2015. Os Estados, por sua vez, responderam por 26,28% da arrecadação, o menor nível do período analisado, mantendo uma tendência de queda iniciada em 2021.

Comparação internacional e composição dos tributos

Apesar de a carga tributária brasileira estar próxima da média observada nos países da OCDE, a Receita destaca que a composição dos tributos no Brasil é diferente. O país apresenta menor incidência sobre renda e propriedade quando comparado a economias desenvolvidas, concentrando a arrecadação principalmente sobre consumo e produção.

Esse perfil contribui para distorções econômicas, afetando preços, competitividade e poder de compra da população, especialmente em períodos de desaceleração econômica.

Visão Bolso do Investidor

O avanço da carga tributária em 2024 reforça um ponto de atenção estrutural da economia brasileira: o peso crescente dos tributos sobre empresas e consumidores, mesmo em um cenário de atividade moderada. Para o investidor, esse ambiente tende a pressionar margens corporativas, influenciar decisões de investimento e impactar setores mais sensíveis ao consumo.

Ao mesmo tempo, a composição da arrecadação indica espaço para debates futuros sobre reforma tributária focada em eficiência, simplificação e melhor distribuição do ônus fiscal. Entender como a carga tributária evolui e onde ela incide é fundamental para avaliar riscos, oportunidades e a sustentabilidade do crescimento econômico no médio e longo prazo.


Fontes:

  • InfoMoney
  • Estadão