Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 17/10/2025

O novo ranking global de salários mínimos reforça o abismo entre o poder de compra dos brasileiros e o dos trabalhadores das economias mais ricas. Em 2025, o Brasil aparece entre os países com menor remuneração básica mensal do planeta, com R$ 1.518, valor que equivale a cerca de US$ 276. Na outra ponta, Luxemburgo ocupa o topo da lista com o maior salário-mínimo do mundo: o equivalente a R$ 21,5 mil por mês ou R$ 107,80 por hora — 14 vezes mais do que o brasileiro.
Diferença global e impacto no poder de compra
O salário-mínimo representa o menor valor que um trabalhador pode receber para arcar com despesas básicas, como moradia, alimentação, transporte e contas domésticas. Ele é determinado por cada governo nacional com base em custos de vida, produtividade e políticas trabalhistas.
No caso do Brasil, o piso é reajustado anualmente considerando a inflação acumulada e o crescimento da economia.
Mesmo assim, o valor atual — R$ 1.518 mensais, ou R$ 6,90 por hora de trabalho — ainda deixa o país em posição frágil no comparativo global. O pagamento é cerca de 1.000% menor que o de Luxemburgo, onde trabalhadores acima de 18 anos recebem 2.703,74 euros mensais (US$ 3.138,50).
Comparativos regionais e desigualdade internacional
Apesar do baixo desempenho, o Brasil ainda supera nações como a Índia, cujo salário-mínimo começa em 165 rúpias indianas por dia — cerca de US$ 1,87 por dia ou US$ 58 mensais, segundo dados do governo local.
Isso significa que, mesmo com as defasagens internas, o piso brasileiro ainda é quase cinco vezes superior ao praticado no mercado de trabalho indiano.
A metodologia usada no levantamento leva em conta variações cambiais e jornadas equivalentes de 40 horas semanais (200 horas mensais). Em muitos países, há também salários-mínimos regionais ou setoriais, o que altera a média nacional — enquanto outros, como Áustria, Dinamarca, Itália, Suíça e Singapura, não possuem piso salarial legal e dependem de acordos coletivos de trabalho.
Ranking internacional de salários-mínimos (2025)
A consultoria global Rippling, especializada em recursos humanos, compilou os cinco maiores salários-mínimos do mundo e os comparou com o valor praticado no Brasil. O levantamento foi confirmado em fontes oficiais de governos locais.
Abaixo, os valores convertidos para dólares (USD) e reais (BRL), considerando o câmbio de R$ 5,49 e jornadas de 200 horas mensais:
| País | Salário-mínimo por hora (USD) | Salário-mínimo mensal (USD) | Salário-mínimo por hora (BRL) | Salário-mínimo mensal (BRL) |
| Brasil | 1,25 | 250,00 | 6,90 | 1.518,00 |
| Luxemburgo | 19,61 | 3.922,00 | 107,65 | 21.530,00 |
| Holanda | 16,71 | 3.342,00 | 91,75 | 18.350,00 |
| Reino Unido | 16,25 | 3.250,00 | 89,17 | 17.830,00 |
| Austrália | 16,19 | 3.238,00 | 88,84 | 17.768,00 |
| Irlanda | 15,67 | 3.134,00 | 86,00 | 17.200,00 |
Os números mostram que o trabalhador luxemburguês recebe 86 vezes mais por hora do que o indiano e 14 vezes mais do que o brasileiro. Mesmo entre países ricos, há diferenças sutis, mas ainda muito distantes da realidade latino-americana.
Fatores que influenciam o piso brasileiro
O cálculo do salário-mínimo no Brasil segue uma fórmula que busca proteger o trabalhador sem comprometer as contas públicas.
O reajuste leva em conta a variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e, quando possível, um ganho real vinculado ao crescimento do PIB.
Ainda assim, especialistas apontam que o valor é insuficiente para cobrir despesas básicas nas principais capitais do país, onde o custo médio da cesta de consumo supera o dobro do salário vigente.
O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) estima que o valor necessário para atender a uma família de quatro pessoas seria próximo de R$ 6.900, mais de quatro vezes o piso atual.
Visão do Bolso do Investidor
A posição do Brasil entre os países com menor salário-mínimo global revela um dilema estrutural entre renda e produtividade.
Por um lado, um piso baixo ajuda a conter custos de contratação e aliviar pressões fiscais sobre a Previdência. Por outro, limita o consumo interno, reduz a arrecadação e amplia desigualdades sociais.
Para o investidor, o dado sinaliza que o crescimento do consumo doméstico seguirá restrito nos próximos trimestres.
Empresas voltadas ao público de baixa renda enfrentam margens estreitas e menor capacidade de repasse de preços. Já negócios expostos ao público de maior poder aquisitivo ou voltados à exportação tendem a se manter resilientes.
Conclusão e próximos passos
O ranking global evidencia que o Brasil precisa reavaliar suas políticas de valorização do trabalho.
Nos próximos meses, será importante acompanhar:
- A discussão sobre a nova política permanente de reajuste do salário-mínimo;
- O impacto fiscal dos aumentos sobre as contas públicas;
- Os efeitos inflacionários e as negociações coletivas;
- E o comportamento da produtividade do trabalho frente a novos aumentos reais.
O equilíbrio entre renda, inflação e produtividade será determinante para definir se o país conseguirá reduzir o hiato salarial internacional sem comprometer a estabilidade macroeconômica.
Fontes: InfoMoney
